Avenida que dá acesso à Unifesspa vai mudar de nome para homenagear Paulo Fonteles Filho

  A avenida principal de acesso à Unidade III do Campus da Unifesspa em Marabá, no loteamento Cidade Jardim (Cidade Universitária), vai mudar de nome para homenagear o ativista político Paulo Fonteles Filho, que morreu em outubro deste ano, após sofrer um ataque cardíaco. A proposta de alteração do nome é de autoria do vereador Gilson Dias, do...

Agenda de Temer é do PSDB, que ensaia abandonar governo para salvar imagem

  Segundo analistas, "casamento" com o governo pode custar caro aos tucanos e apoio à reforma da Previdência deve comprometer eleição de 2018 por Eduardo Maretti, da RBA São Paulo – O desembarque do PSDB do governo Temer, que o partido vem ensaiando durante boa parte de 2017, segundo os cálculos do tucanato, é uma tentativa de evitar a...

Lula: “Todo o dinheiro que é para gastar na educação estão gastando com deputados”

Na programação de sua caravana pelo ES, ex-presidente visitou o Instituto Federal em Cariacica por José Eduardo Bernardes   A pauta da educação voltou a nortear as atividades da caravana do ex-presidente Luiz Inácio lula da Silva pelo país. Desta vez, em visita ao Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), em Cariacica (ES), Lula citou a...

SP: Trabalhadores relatam impactos da reforma da Previdência em ato contra a medida

  Centrais sindicais e movimentos populares prometem novos protestos caso a PEC 287 entre em votação na próxima semana. A dona de casa Regina dos Anjos levou os dois filhos para o ato contra a reforma da Previdência, realizado nesta terça-feira (5), na Avenida Paulista, região central de São Paulo. Para ela, a Proposta de Emenda Constitucional...

Lenio Streck: Contrato intermitente é inconstitucional

  Em recente coluna, listei 21 razões de por que estamos em um estado de exceção com a suspensão da força normativa da Constituição de 1988. Vivemos uma espécie de atrofia constitucional autodestrutiva. O que tenho percebido nos estudos acerca da reforma trabalhista é que a mesma não reconstrói, mas simplesmente destrói as bases estruturais de...

Escuridão e falta de vigias aumentam insegurança no campus da UFPA em Belém

  alta de iluminação e número restrito de vigilantes na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, contribuem para o aumento da violência no local. Na última sexta-feira (1), um grupo de 20 homens invadiu o local e fez um arrastão. Os alunos reclamam da insegurança na área. “A gente fica um pouco receoso. Tem muitos locais que são escuros. O...

Conselho de Ética arquiva processos contra deputado Wladimir Costa (SD-PA) em Brasília

  Um deles foi aberto a pedido do PT para apurar a conduta do deputado acusado de divulgar fotos íntimas de uma filha da deputada Maria do Rosário, do Rio Grande do Sul. O Conselho de Ética da Câmara Federal arquivou nesta terça-feira (5) dois processos contra o deputado Wladimir Costa, do Solidariedade do Pará. Um deles foi aberto a pedido do PT...

INSTITUTO PAULO FONTELES DE DIREITOS HUMANOS

CartazO Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos é uma entidade da sociedade civil, sem fins lucrativos, democrática, ecumênica, apartidária e politizada que atua na promoção e defesa dos direitos humanos observando sua universalidade, interdependência e indivisibilidade nas condições da Amazônia paraense, região marcada por conflitos históricos gerados pela forte penetração econômica de grupos nacionais e estrangeiros que, nos últimos 50 anos, foi o principal gerador do caos fundiário, grilagem das terras, crimes de pistolagem, desmatamento, genocídio indígena, pilhagem das riquezas, trabalho escravo, impunidade, fome e miséria.

O Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos atuará no sentido de estimular a organização do povo, sua consciência crítica, na perspectiva da compreensão de sua condição de oprimido e buscando caminhos para conquistar ou fazer valer direitos inalienáveis, como a saúde, a segurança, a cultura, a educação, o direito à memória, a verdade, a justiça e à vida plena. Sua plataforma consiste na luta por uma sociedade justa, livre, igualitária, culta e sem classes.

A luta de Paulo Fonteles é fonte de inspiração para as novas e futuras gerações, que no limiar do século 21 ainda enfrentam os mesmos problemas. A sociedade, passados quase 30 anos de seu martírio, é muito desigual. Conhecer a vida de combates de Paulo Fonteles pela democracia, pela reforma agrária, pela independência nacional, pelos direitos humanos, fortalece, na sociedade,  a perspectiva de dias melhores.

AGENDA

SOBRE PAULO FONTELES

A trajetória daquele que seria uma das mais contundentes vozes da luta contra o latifúndio e em defesa das liberdades púbicas teve inicio quando o Brasil estava encarcerado pela quartelada de 31 de Março de 1964, que submeteu o país aos terríveis anos da Ditadura Militar, marcada pelas torturas e assassinatos, além da submissão aos interesses externos, notadamente estadunidenses.

O jovem Paulo Fonteles, oitavo filho do marítimo Benedito Lima e de Cordolina Fonteles – uma dona-de-casa que se tornou símbolo da luta conta a impunidade depois de seu assassinato, em 1987 – tomou parte nas manifestações que eclodiram pelo país quando do assassinato do estudante paraense Edson Luís, morto pela repressão política no restaurante Calabouço, no Rio de Janeiro. Naqueles dias a juventude brasileira ganhou pessoa e postura.

Seus relatos daquele período, pela força da sua poesia, revelam a permanente luta pela vida na forma da denúncia da bestialidade dos torturadores que alcunhava como “cães que cavalgam soltos”. Ali, no famigerado Pelotão de Investigações Criminais (PIC) e depois na Barão de Mesquita, no Rio de Janeiro, um dos maiores centros de tortura do país onde os bárbaros foram adestrados  por  víboras  que  insistiam  em afirmar que os métodos da Gestapo estavam ultrapassados e que era necessário reinventar a Santa Inquisição. Naquelas duras condições, ao saberem da resistência armada da Guerrilha do Araguaia, no Sul do Pará, tanto Paulo quanto Hecilda ingressam nas fileiras do Partido Comunista do Brasil.

Paulo Fonteles é eleito o primeiro presidente da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) e nesse ambiente, em 1978, se coloca à disposição da Comissão Pastoral da Terra (CPT) para advogar para os camponeses do Sul do Pará.

Sua atuação, como advogado da oposição sindical nas contendas contra o pelego Bertoldo Siqueira, na luta para retomar para as mãos dos lavradores o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Conceição do Araguaia vai destilar o ódio em famigerados, como o Major Curió e o Ministro Jarbas Passarinho. Muitos dos instrumentos e quadros da repressão atuaram para derrotar a oposição e até a Rádio Nacional de Brasília fazia campanha para os caudatários do militarismo.

Em 1982 é eleito Deputado Estadual sob a consigna de “Terra, Trabalho e Independência Nacional” e no curso de sua atuação parlamentar é constantemente ameaçado e por diversas vezes denuncia da tribuna da Assembleia Legislativa do Pará as macabras listas de marcados para morrer onde figurava.

Em 1985, um Coronel do Exército e latifundiário, Eddie Castor da Nóbrega anuncia num dos principais jornais paraenses que iria atentar contra a vida do então Deputado. Fonteles no mesmo jornal responde que “se um coronel tem a ousadia de ameaçar de morte um Deputado abertamente, o que este senhor não faz com os trabalhadores rurais de sua fazenda”, concluiu.

Em 11 de Junho de 1987 todas as ameaças se confirmam e no final da manhã daquele dia é assassinado a mando da União Democrática Ruralista (UDR) na região metropolitana de Belém. A ação que atentou contra a vida de Paulo Fonteles ocorreu no mesmo momento em que se votava, no âmbito da constituinte, o Capítulo da Terra.

  • BREVE TRAJETÓRIA DA VIDA DE PAULO CÉSAR FONTELES DE LIMA

Até hoje os mandantes do assassinato de Paulo Fonteles não foram levados a julgamento e, como centenas de casos da pistolagem perpetradas pelo latifúndio seu crime permanece impune o que revela o caráter do judiciário paraense e brasileiro.

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