ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Justiça obriga Incra a regularizar terras quilombolas no arquipélago do Marajó (PA)
Sentença também determinou pagamento de indenização por danos morais A Justiça Federal obrigou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a regularizar terras de 14 comunidades quilombolas do arquipélago do Marajó, no Pará. A sentença, que...
Lula segue com o dobro da intenção de votos do segundo colocado, diz Datafolha
Em pesquisa, petista aparece com 31% dos votos, contra 15% de Jair Bolsonaro (PSL) por Redação RBA Pesquisa do Instituto Datafolha divulgada no início deste domingo (15) mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo cumprindo mandado de...
Disputar a narrativa para enfrentar a conjuntura adversa, apostam lideranças progressistas
Diante de um público formado representantes de diversas entidades ligadas ao FNDC, debatedores discutiram prisão de Lula, assassinato de Marielle Franco e onda de fascismo que ameaça o país por Felipe Bianchi, especial para o FNDC Enfrentar os retrocessos...
Conselho Nacional de Direitos Humanos denuncia ataques à democracia
O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) decidiu na quinta-feira (12), em plenária, que vai elaborar um relatório para denunciar inclusive fora do país as ameaças cada vez maiores ao Estado democrático de direito no Brasil. O CNDH cita ações de incentivo...
Pará registra quase 12% das mortes violentas do Brasil, em fevereiro de 2018
Levantamento feito pelo G1 aponta que o Pará só perde para Pernambuco e Rio de Janeiro, em índices de mortes violentas no início deste ano. Crimes violentos no Pará somam quase 800 vítimas nos dois primeiros meses do ano. (Foto: Reprodução/TV Liberal) Pará teve...
Liderança quilombola é morta a tiros na zona rural do Acará
Vítima já foi presidente da Associação de Moradores e Agricultores Remanescentes Quilombolas do Alto Acará. Caso foi registrado na delegacia de Quatro Bocas. O corpo da liderança quilombola Nazildo dos Santos Brito foi encontrado na manhã deste domingo (15), no...
Rebelião em presídio de Bragança termina com 8 foragidos e 7 feridos
Negociações encerraram por volta das 10h30, quando ocorreu a invasão tática na unidade prisional. O centro custodia 315 detentos, mas a capacidade é para 122. A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) confirmou a fuga de 8 após rebelião no...
Matança apavora o município de Ananindeua
O comerciante Junji Katsuki, 70, diz com todas as letras que não sabe “a hora que vai poder ser a próxima vítima”. (Foto: Irene Almeida/Diário do Pará) Se os constantes relatos de assaltos e roubos já impunham uma rotina de medo, o registro recente de pelo...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





