ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
STF garante a Lula acesso a processo negado por Moro
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que ele tenha acesso a provas de um processo sob responsabilidade do juiz Sergio Moro que trata de supostas irregularidades na campanha do ex-presidente...
DEMARCAÇÃO: Conflito entre indígenas e ruralistas no Oeste do Paraná tende a acirrar em 2018
Grupo de Trabalho, convocado por Funai e Ministério Público, realiza laudo sobre a demarcação de terras por Pedro Carrano “- Ei, índio. - O que foi? - Verdade que você vai invadir minha casa? - Não é assim” O diálogo acima, relatado por uma liderança indígena, não é...
Prejuízo na Petrobras é utilizado para justificar seu desmonte, afirmam especialistas
Comprometimento da reputação da empresa nos quatro anos de Operação Lava Jato prejudica, principalmente, trabalhadores por Júlia Dolce As análises do balanço financeiro da Petrobras no ano de 2017, divulgado na segunda quinzena de março deste ano, estão sendo...
Após 20 anos, assassinato de lideranças Sem-Terra no Pará permanece impune
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Testemunha da morte do prefeito de Tucuruí é assassinada no município
Crime aconteceu no sábado, 24, à noite. Vítima foi perseguida e executada por um atirador Uma testemunha do caso da morte do prefeito de Tucuruí, Jones William, em julho de 2017, foi assassinada na noite de sábado (24) no município do sudeste do Pará. Francisco...
Após denúncia do DIÁRIO, PSol pedirá que BRT seja alvo de CPI
A bancada do Psol na Câmara Municipal de Belém (CMB) pretende coletar hoje 7 assinaturas entre os 35 vereadores e dar entrada na Mesa Diretora da casa a um requerimento pedindo a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar...
Pedidos de desculpas não resolvem impactos, dizem atingidos pelo vazamento da Hydro
Reivindicações por atendimento a necessidades urgentes foram feitas durante audiência pública O pedido de desculpas da refinaria de alumina Hydro Alunorte pelo descarte de água não tratada em rio de Barcarena, no Pará, não é o bastante para resolver os impactos...
LULA PELO BRASIL: Caravana de Lula no Sul avança em respeito ao ‘compromisso com a maioria’
Com operações de inteligência e logística, a jornada dos ex-presidentes Lula e Dilma pelo Sul tem superado a conduta violenta de pequenos grupos e chegado nas comunidades onde são esperados. por Cláudia Motta, especial para RBA e TVT São Miguel dos Milagres – A...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





