ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Revogação da Renca mostra que é forte a pressão ambiental em defesa da Amazônia
Para Márcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace, governo errou ao abrir a reserva à mineração.
Anistia Internacional: Golpe de Temer foi o principal responsável pelas violações de direitos no Brasil
Por Paulo Fonteles Filho e Angelina Anjos. O Relatório da Anistia Internacional 2016/2017, intitulado “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo”, lançado no último 22 de fevereiro, informa que o golpe de Temer foi o principal responsável pelas violações de...
Oswaldo Coimbra: A prisão de Bethânia, na Ditadura
Por Oswaldo Coimbra. O poeta alemão, de origem judaica, Christian Johann Heinrich Heine morreu sem saber que, com uma única frase, ele havia anunciado o que iria ocorrer no país dele, 77 anos depois, como desdobramento do destino dado a seus livros e a de outros...
Os camponeses e camponesas do Brasil fazem muito com pouco
O sociólogo Jean Ziegler no seu magnífico livro Destruição em Massa Geopolítica da Fome, descreve como o capital financeiro e o império planetário de transnacionais do agronegócio destroem as agriculturas camponesas em todo mundo levando a desnutrição, a fome e a morte a centenas de milhões de pessoas.
Pelo petróleo para educação: combater os inimigos da Pátria
Brasil deveria utilizar o lucro do petróleo para em pouco tempo resolver os grandes problemas sociais do país.
Margarida Salomão: A Anatomia do Golpe de 2016
O golpe de 16 foi fruto de um inesperado arranjo institucional: um acordo tácito entre a mais estéril fatia do Parlamento, com suporte do Judiciário, financiado pela Fiesp e favorecidos por uma mídia retrógrada.
Seca nos rios do sudeste do Pará preocupa moradores e ambientalistas
O nível do rio Tocantins está em 147 cm, situação que não acontecia desde a década de 70. São aproximadamente três meses sem registro de chuva.
Democracia: Valor Histórico
Martela-se hoje incessantemente a idéia de democratizar o Estado, mas longe de perpetuar um aparelho deste tipo, a teoria marxista aponta para a sua extinção, numa sociedade em que uma parte da população não oprima a outra

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





