ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Guarani fazem acordo com governo de SP e desocupam Parque Estadual do Jaraguá
Após reunião com secretarias estaduais, ficou marcada reunião de negociação nesta segunda (18)
Vanessa avalia que nova denúncia contra Temer é mais forte
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) avaliou, nesta sexta-feira (15), no Senado, a nova denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer na quinta-feira (14). Para a senadora, esta segunda denúncia é mais forte que a anterior porque é acompanhada de provas, a seu ver, contundentes.
É preciso desarticular a ligação entre criminosos e policiais militares no Pará, diz Ouvidoria da Segup
De acordo com o órgão, gravações das conversas entre dois policiais militares suspeitos de envolvimento na maior chacina de Belém, em janeiro de 2017, revelam o poder das milícias na capital.
14º Congresso: a saga comunista que se renova
“Seu Partido acabou” esbravejou o estúpido e feliz agente do Doi-Codi da rua Barão de Mesquita, no Rio, quando lá cheguei em 17 de dezembro de 1976, logo depois de ser preso em São Paulo, na Chacina da Lapa. As torturas começaram em seguida.
Mineração solta na Amazônia
por Philip Martin Fearnside Em 23 de agosto de 2017, o Presidente Michel Temer emitiu um decreto revogando a RENCA (Reserva Nacional de Cobre e seus Associados), uma área do tamanho da Suíça localizada no lado norte do Rio Amazonas em partes dos Estados do Pará...
MPF quer fim de mineração ilegal em Novo Progresso (PA)
Ação pede à Justiça anulação das autorizações da Semas e do DNPM à mineradora Chapleau
“Quero que Lava Jato tenha coragem de dizer: não há provas e mentimos”, afirma Lula
Depois de quase 3 horas de depoimento ao juiz Sérgio Moro, Lula discursa para mais de 7 mil pessoas em Curitiba
Vice de Maia afronta ministro de Temer e indica desmoronamento da base
A cerimônia de assinatura da venda da folha de pagamento da Câmara para a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, realizada nesta quarta-feira (13), foi marcada pelo desentendimento entre o vice-presidente da Casa, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), e o ministro da Secretaria de Governo, Antonio Imbassahy (PSDB).

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





