ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Davidson: É hora de enfrentar as fake news nas redes e nas ruas
O presidente estadual do PCdoB na Bahia, Davidson Magalhães, acredita que é preciso enfrentar, nesta reta final da campanha do segundo turno, a indústria de mentiras que sustenta a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), como revelou o jornal Folha de S. Paulo, na semana...
Marina Silva declara voto em Haddad no segundo turno
Candidata à presidência no primeiro turno, Marina Silva (Rede) anunciou, na tarde desta segunda-feira (22), que irá votar em Fernando Haddad (PT) neste segundo turno da eleição. Em texto publicado nas redes sociais, ela tece críticas à candidatura do petista,...
FAKE NEWS E AMEAÇAS: CNBB, OAB e entidades repudiam ações de violência da família Bolsonaro
Sem citar nomes, manifestam a defesa irrestrita e incondicional dos direitos fundamentais sociais e declaram que "não há desenvolvimento sem justiça e paz social" por Redação RBA A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e outras seis entidades ligadas...
Para juristas, Judiciário não reage à altura diante de ameaças dos Bolsonaro
"Não me surpreendo. Não espero muito do Poder Judiciário", diz Bandeira de Mello. Para Fábio Konder Comparato, estado de coisas decorre do clima de repúdio criado contra a oposição, sobretudo ao PT por Eduardo Maretti, da RBA Para os juristas Celso...
Bolsonaro é um “perigo real”, afirma bispo brasileiro
D. André de Witte, bispo de Ruy Barbosa, no Estado da Bahia, lamenta o excesso de prudência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB “que conheceu períodos mais proféticos que hoje” por Jornalistas Livres REVISTA IHU ON-LINE A eleição de Jair...
RADICALISMO: Comportamento de Bolsonaro demonstra claro aspecto ditatorial, dizem especialistas
Menosprezo a outros poderes, pregação de extermínio e intolerância a adversários são típicos de ditadores Juca Guimarães Um novo escândalo envolvendo a candidatura de Jair Bolsonaro, do PSL, afina ainda mais a imagem de um caminho para a ditadura, em um...
PSOL entra com representação na PGR contra declarações de Eduardo Bolsonaro
O PSOL protocolou, nesta segunda-feira (22), uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado Eduardo Bolsonaro (PSC-RJ), pelas graves declarações proferidas por ele no último sábado (20). Filho de Jair Bolsonaro, o parlamentar...
Conselheiro é afastado de Tribunal de Contas no Pará suspeito de receber propina de R$ 2,8 milhões
Investigação da Polícia Federal em Brasília indica que suspeito usou rede de parentes e sócios para dissimular origem dos recursos. Operação foi autorizada pelo STJ. Por Gabriel Luiz, Braitner Moreira e Laura Tizzo, G1 DF e TV Globo A Polícia Federal faz nesta...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





