ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Manuela em Aracaju: projeto de Temer é defendido por muitos candidatos
Em agenda nesta segunda-feira (23) em Sergipe, a pré-candidata à presidência pelo PCdoB, Manuela d’Ávila participou nesta manhã de coletiva de imprensa, ao lado do prefeito da capital sergipana, Edvaldo Nogueira (PCdoB). Manuela destacou aos jornalistas que é...
‘O caso está alarmante, muito grave’, diz diretor após mortes de 40 agentes de segurança
A violência contra agentes de segurança, em especial a policiais militares, chegou a um estado de descontrole total. A avaliação é do cabo Francisco Xavier, diretor da Associação Nacional de Cabos, Soldados e Bombeiros – Região Norte. Com os dois policiais...
Pará só perde para o Rio de Janeiro em número de policiais mortos em 2018
A violência contra policiais militares chegou a um descontrole total. O Pará carrega hoje, o peso de 33 PMs mortos em 2018, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro, onde aumentou para 64 o número de policias assassinados. A ausência das autoridades no controle da...
MPF recomenda providências urgentes para garantir verbas para escolas indígenas de Belterra (PA)
Também foi recomendada consulta prévia, livre e informada aos Munduruku antes de qualquer tentativa de repassar a gestão das escolas para o governo estadual O Ministério Público Federal (MPF) enviou notificação à prefeitura e à secretaria de Educação de...
Com apoio do MPF, quilombolas conquistam reconhecimento de territórios em Oriximiná (PA)
Portarias de reconhecimento foram publicadas nesta quinta (19). Os quilombolas da região foram pioneiros a lutar pelo reconhecimento Depois de 29 anos de luta dos quilombolas e de uma ação ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF), o Instituto Nacional de...
Audiência pública no Pará expõe abandono da reforma agrária e pressões da mineradora Alcoa
Criado em 2005, o PAE Lago Grande é um dos maiores assentamentos do Brasil, e fica numa região rica em sociobiodiversidade entre os rios Tapajós e Amazonas, no oeste do Pará Cerca de 500 representantes das 140 comunidades que integram um dos maiores...
#NotadePesar: Juiz de Direito e professor Elder Lisboa Ferreira da Costa
É com profundo pesar que a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Pará, comunica o falecimento do conceituado Juiz de Direito e professor Elder Lisboa Ferreira da Costa, ocorrido nesta sexta-feira (20), em São Paulo. Neste momento de dor e consternação, o presidente da...
Esta charge do Jota Camelo foi publicada em A Charge Online

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





