ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
#ABRILindígena: comunidades indígenas têm direito a compensação pelo impacto de mineroduto no Pará
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#ABRILindígena: mais de 150 indígenas da etnia Xikrin participam de ato público no MPF
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NOTA PÚBLICA: A violência e crise na segurança pública do estado do Pará
Na foto acima: Comitiva convocada pelo Dep Edmilson Rodrigues, saindo do complexo penitenciário crrp3 onde houve a tragédia. Foi acompanhado pela ouvidoria e comissões DH e segurança pública da OAB. Veja abaixo nota pública da OAB. NOTA PÚBLICA A Comissão de...
OABPA – Advogada Juliana Fonteles assume a Comissão de Direitos Humanos da ordem no Pará
#PosseOABPA Presidente Alberto Campos empossou a nova presidente da Comissão de Direitos Humanos, a advogada Juliana Fonteles. Ainda tomou posse como vice-presidente da referida comissão temática o advogado André Leão. Diretora-geral da ESA, Cristina Lourenço...
Lançado livro que refaz trajetória de Paulo Fonteles
“Paulo Fonteles, sem ponto final” é um livro de afeto. A afeição foi notória durante o lançamento oficial da obra escrita pelo jornalista Ismael Machado, na noite desta terça-feira (10/04) na sede da OAB – Pará. A noite de autógrafos reuniu familiares e amigos...
Adiamento no STF reforça interesse político na prisão de Lula, afirma ex-ministro
Após recuo do PEN, decisão sobre prisão em segunda instância só deve ocorrer na próxima semana por Cristiane Sampaio O adiamento do julgamento da ação sobre prisão após condenação de segunda instância, que poderia ter sido avaliada nesta quarta-feira (11) pelo...
CDH aprova pedido de Vanessa sobre diligência em prisão de Lula
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43% das novas empresas da “lista suja” do trabalho escravo são do agronegócio
Novo cadastro traz 37 novos empregadores; 16 deles são fazendeiros ou madeireiros por Julia Dolce As atualizações na "lista suja" do trabalho escravo mostram que o agronegócio continua sendo o setor que mais submete trabalhadores à condição análoga à...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





