ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Eleitores que não realizarem cadastramento biométrico terão títulos cancelados
O Tribunal reforçou todas as estruturas para receber a demanda dessa semana, mas o eleitor que não conseguir fazer o cadastro nesse prazo terá uma nova chance entre os dias 2 de abril a 9 de maio mesmo com o título cancelado. Tribunal Eleitoral do Pará ampliou...
UTILIDADE PÚBLICA: Longas filas marcam últimos dias de cadastramento biométrico
Faltando apenas quatro dias para encerrar o prazo para o cadastramento biométrico para eleitores de Belém e de mais 10 municípios paraense, milhares de eleitores enfrentam longas filas na busca por atendimento. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Pará...
Audiência pública irá definir metas emergenciais no caso de vazamento da Hydro
Evento será nesta quinta-feira (22), em Barcarena (PA) O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e o Ministério Público Federal (MPF) no Pará vão promover, em caráter de urgência, na próxima quinta-feira (22), audiência pública em Barcarena para informar a...
Esta charge do Gilmar foi publicada em A Charge on Line
Marielle | “A primeira execução política da intervenção militar”
Afirmação foi feita pelo Grupo Tortura Nunca Mais-RJ por Leonardo Fernandes Poderia ter sido mais um caso da violência do Estado no Rio de Janeiro. Marielle Franco tinha o perfil da maioria das jovens assassinadas pelas forças de segurança no país: jovem, negra...
Em todo país, manifestantes vão às ruas para denunciar execução de Marielle Franco
Atos, vigílias e marchas exigiram justiça para o assassinato da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes Milhares de pessoas saíram às ruas para expressar luto e revolta pelo assassinato da militante e vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Pedro...
Ato em Belém presta homenagem à vereadora Marielle Franco e ao líder quilombola Paulo Nascimento
Ato ecumênico reuniu lideranças religiosas em homanegans à Marielle Franco , em Belém. Cerca de 1500 pessoas se reúnem no Mercado de São Brás para exigir investigação das mortes dos ativistas. Por volta de 19h30, o grupo interditou a avenida José Bonifácio....
Parlamentares associam assassinato de Marielle a crime político e cobram apuração
Câmara criou comissão para acompanhar as investigações. PGR pediu atuação “federalizada” e Barroso disse que caso “mostra combinação de desigualdade, corrupção e mediocridade” por Hylda Cavalcanti, da RBA O clima de consternação com a morte da vereadora...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





