ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Especialistas relacionam crise econômica no RJ com aumento da violência
Investimento em políticas públicas é apontado como alternativa à intervenção militar no estado por Júlia Dolce A intervenção militar no Rio de Janeiro tem esquentado o debate sobre as causas dos índices de violência no estado. A grave crise financeira...
As ligações perigosas de Moreira Franco, o homem que pôs o Exército nas ruas no Rio
Bandidos do Comando Vermelho frequentavam o Palácio Guanabara e ganhavam até cargos no Tribunal de Contas, quando Moreira Franco era governador do Rio por Laura Capriglione A intervenção militar no Rio de Janeiro foi articulada por um velho conhecido do crime...
Filme sobre golpe no Brasil é aclamado no Festival de Berlim
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Hydro Alunorte, acusada de vazamento de rejeitos, já foi multada em 2009 por esse crime
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OAB pede intervenção em secretaria e prisão de fiscais após vazamento de rejeitos de mineradora no PA
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Deputados visitam a Hydro e avaliam danos ambientais causados em Barcarena
Na manhã desta sexta-feira (23), uma comissão de deputados federais paraenses começou a visitar e avaliar os danos ambientais causados pelo vazamento de rejeitos químicos provocados pela empresa Hydro. O caso é grave e foi denunciado pelo DOL ainda no sábado...
Marabá perde aquisição de dez leitos de UTI Neonatal
Recentemente foi noticiado através de blog, sites e redes sociais que a Secretaria Municipal de Saúde de Marabá (SMS) perdeu R$ 300 mil reais de cirurgias eletivas, deixando de atender a população e aumentando ainda mais a fila de esperas por essas cirurgias....
Em ação, MPF cobra na Justiça que governo do Pará entregue barcos a extrativistas
Contrato de repasse foi assinado em 2011, mas governo alega proibições legais para concretizá-lo, o que o MPF contesta O Ministério Público Federal (MPF) enviou à Justiça Federal na última segunda-feira (19) ação em que pede decisão urgente para obrigar o...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





