ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Defesa da democracia mobiliza milhares de pessoas em Porto Alegre
Justiça e democracia: duas palavras femininas e dois valores muito caros a toda a sociedade marcaram o ato histórico da luta das Mulheres pela Democracia que reuniu mais de 15 mil pessoas na manhã dessa terça-feira (23), em Porto Alegre. Com presença de dezenas...
Movimentos sociais fazem vigília pró-Lula em frente ao prédio da Justiça Federal em Belém
A manifestação é a favor do ex-presidente Lula que terá um recurso julgado nesta quarta-feira no caso do triplex no Guarujá. Integrantes de movimentos sociais e lideranças sindicais fazem, desde o fim da tarde desta terça-feira (23), uma vigília em frente ao...
Manifestantes seguem com bloqueio na BR-158 em Santana do Araguaia
As principais reivindicações são: Aumento no contingente militar; Decisão final para reabrir a agência em Santana do Araguaia; Auditoria, pois muitas pessoas estão reclamando dos preços abusivos da energia elétrica; A BR-158, no município de Santana no...
Integrantes de movimento social protestam em frente a sede do Ibama de Altamira
Comunidade da Lagoa do Jardim Independente I querem ser reconhecidos como atingidos pela operação da usina de Belo Monte. Cerca de 200 pessoas ligadas ao movimento Atingidos por Barragens protestam nesta terça-feira (23) em frente a sede do Instituto Brasileiro...
PauloEmmanuel
2018: O que esperar?
por Aruan Fonteles. É sabido de todos que 2018 é um ano de eleição presidencial. 2018 vêm a ser o ano mais esperado por muitos, por ser a oportunidade de amenizar todos os erros cometidos por Temer, que em 2016 assumiu por meio de golpe e em menos de dois anos...
Em Porto Alegre, juristas questionam irregularidades na sentença de Moro contra Lula
"O que está em debate neste processo é justamente a destruição do Estado democrático de direito", diz professor da UFPR por Rute Pina Dezenas de juristas, intelectuais e políticos lotaram o auditório da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em...
Kennedy Alencar admite: TRF-4 recebeu bola quadrada de Moro
Em seu comentário político divulgado na manhã desta segunda-feira (22), no jornal da CBN, o jornalista Kennedy Alencar admite que devido a "fragilidade jurídica na sentença", o "correto seria a absolvição" do ex-presidente Lula no caso do Triplex e quem quer uma...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





