Justiça e democracia: duas palavras femininas e dois valores muito caros a toda a sociedade marcaram o ato histórico da luta das Mulheres pela Democracia que reuniu mais de 15 mil pessoas na manhã dessa terça-feira (23), em Porto Alegre.

Com presença de dezenas de lideranças políticas e sociais, como a presidenta Dilma Rousseff, a manifestação das Mulheres pela Democracia foi o primeiro grande ato de massas da jornada em defesa da democracia e pelo direito de Lula ser candidato, diante do julgamento que ocorrerá em segunda instância, no TRF4, nesta quarta-feira ( 24).

Com a sintomática falta de energia elétrica que ocorrera no anfiteatro da Assembleia Legislativa, local do evento, o ato transferiu-se para a praça da Matriz, no quadrilátero que abriga a sede do parlamento gaúcho e o palácio do governo estadual.

A denúncia dos retrocessos promovidos pelo governo Temer e como eles têm afetado a vida das mulheres brasileiras também deu o tom da mobilização em uma praça da Matriz completamente tomada por mulheres e homens, trabalhadoras e trabalhadores.

A presidenta nacional do PCdoB, deputada federal Luciana Santos, levou a mensagem dos comunistas ao ato e deixou clara a convicção do PCdoB de que é crucial para a democracia brasileira que se assegure o direito de Lula concorrer, não somente pela sua biografia e por tudo o que fez pelo país em seus governos, mas também porque o processo movido contra ele é ilegítimo, orquestrado e não apresenta as provas que seriam necessárias para balizar qualquer condenação.

“A legítima presidenta da República está aqui entre nós. Consideramos que este julgamento é a continuidade do golpe que estamos vivendo. Por isso, nós do PCdoB, que temos nossa candidata à presidência da República, a nossa deputada e gaúcha Manuela D’Ávila, defendemos o direito de Lula ser candidato a presidente, pela justiça e pela democracia”, acentuou.

Manuela também usou a palavra para reforçar a necessidade de ampla mobilização em defesa da democracia e do futuro do Brasil. A pré-candidata do PCdoB condenou a politização da justiça. “O único juízo político legítimo é o das urnas”, afirmou.

A ex-ministra de Políticas para as Mulheres do governo Dilma, Eleonora Menicucci, afirmou que não há democracia no país sem Lula na eleição. Ela reforçou que Dilma foi uma vítima de uma grande fraude, um golpe que está instaurando uma espécie de ditadura disfarçada, na qual as mulheres tem sido suas maiores vítimas. Para ela, o significado do ato é de que o caminho é o do resgate da democracia através da luta, nas ruas.

A deputada federal gaúcha, Maria do Rosário (PT), fez um resgate do conjunto de perdas para as mulheres que vem sendo ocasionadas devido às medidas do governo, tais como as perdas com a reforma trabalhista, o congelamento por 20 anos nos recursos e investimentos nas áreas da saúde, educação e segurança e retrocessos nas políticas sociais.

Maria José Rosado, das Mulheres Católicas pelo Direito de Decidir emocionou o público ao dizer que “a luz dessa nação são as mulheres”. Ela defendeu que, junto das forças progressistas, construa-se a unidade de todas as forças religiosas progressistas do país, em nome da resistência em defesa do futuro e da democracia.

Resistência

O encerramento do ato teve o pronunciamento da presidenta Dilma. “Estamos aqui fazendo a resistência democrática”, afirmou.

Dilma fez um resumo retrospectivo do golpe. Segundo ela, houve um golpe parlamentar midiático no Brasil. “Foi feito por um grupo e usurpadores que se uniu para tirar os direitos do povo brasileiro”. O golpe foi dado para enquadrar o país economicamente e geopoliticamente segundo os interesses do grande capital.

Para ela, a segunda etapa do golpe foram – e estão sendo – um conjunto de medidas que retiram direitos e promovem retrocessos que comprometem o futuro da nação.

Já a terceira fase, para ela, na qual se insere o julgamento do ex-presidente Lula, dá-se em um momento em que está claro o fracasso do próprio golpe. A direita conservadora não consegue construir um candidato, veja-se o exemplo do PSDB. Por outro lado, a Rede Globo tenta claramente organizar uma candidatura.

A presidenta condenou o julgamento em tempo recorde de Lula, sem provas. Finalizou com uma reflexão acerca da necessidade de a justiça ser isenta e não ter lado.

O evento foi representativo e contou com a presença de dezenas de lideranças políticas como deputados e deputadas de todo o país, governadores e ex-governadores, senadores e senadoras, além da representação de centrais sindicais como a CUT e CTB, e de entidades e organizações diversas do movimento social como a União Brasileira de Mulheres, a Marcha Mundial das Mulheres, UNE, Ubes, UJS, etc. Também contou com delegações representantes da Venezuela, Argentina e Uruguai.

De Porto Alegre, Clomar Porto e Rodrigo Positivo, especial para o Portal Vermelho

FONTE: http://www.vermelho.org.br/noticia/306824-1