ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Por que os movimentos populares apoiam o ex-presidente Lula?
Dirigentes políticos falam sobre o julgamento que poderia impedir a candidatura à Presidência do líder de esquerda por Fania Rodrigues Camponeses que conquistaram terras para plantar, trabalhadores sem teto que hoje têm sua casa própria, jovens de escolas...
Fernando Brito: Os furos da sentença “irretocável”
A reportagem de Mário Cesar Carvalho, na Folha de São Paulo, lista contradições da sentença contra Lula que será analisada (embora com um número impreciso de pré-julgamentos, para os quais a decisão já tinha sido tomada antes de sequer lida). Lista algumas,...
EUA estão por trás das ações contra legado dos governos Lula e Dilma, diz Comparato
Para o jurista Fábio Konder Comparato, Moro "é evidentemente pessoa de toda a confiança" dos EUA por Eleonora De Lucena Interesses norte-americanos estão nos bastidores do movimento de ataque ao lulismo, que resultou na derrubada do governo Dilma Rousseff. É o...
Alckmin sucateia metrô público e privilegia linha privada. Justiça suspende leilão
Em discurso para ganhar apoio ao processo de privatizações, governador tucano elogia linha privatizada e omite problemas de sua gestão nas linha públicas. Justiça vê processo suspeito A Justiça determinou a suspensão do leilão de privatização das linhas 5-Lilás...
Pesquisadores do Pará começam a usar novo sistema de monitoramento da Amazônia
Os analistas do Instituto Imazon utilizam um radar da Agência Espacial Europeia. Com a nova tecnologia, é possível identificar a destruição da mata mesmo com tempo nublado e até durante a noite. Pesquisadores do Pará começaram a utilizar um novo sistema de...
Governo Temer reduz operações de combate ao trabalho escravo
Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho apontam que o número de operações de fiscalização para a erradicação do trabalho escravo diminuiu 23,5% em 2017 em comparação com o ano anterior. Foram realizadas 88 operações em 175 estabelecimentos no ano passado, contra...
UTILIDADE PÚBLICA: População da região do Xingu, no PA, deve fazer o cadastramento biométrico
Confira os locais e horários de atendimento. Os moradores de Altamira, Brasil Novo e Vitória do Xingu, na região sudoeste do estado, devem fazer o cadastramento biométrico. O anúncio de como será feito esse atendimento ocorreu durante uma coletiva feita pelo...
Em Parauapebas, prefeitura destrói casas em área de risco e população fica desabrigada
População denuncia que casas foram derrubadas sem aviso prévio. Prefeitura diz que só destruiu imóveis sem cadastro de moradores. Em Parauapebas, a Prefeitura destruiu casas que foram construídas em uma área considerada de risco. Segundo a população, a promessa...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





