ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Transamazônica, 45 anos | Presença indígena é a tábua de salvação da floresta
Primeiro capítulo da série de reportagens sobre a BR-230, baseada em um relato de viagem pelo Pará por Daniel Giovanaz Em 25 de outubro de 2016, cem moradores dos municípios Palestina do Pará e Brejo Grande do Araguaia armaram um piquete na ponte que une o...
Pimenta: O que aconteceria se eu dissesse que Moro deve morrer?
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-SP) usou as redes sociais para chamar a atenção para a gravidade das ameaças de morte ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No fim de semana, o colunista Mario Vitor Gonçalves que publicou o artigo "Lula deve morrer",...
Mulheres protestam em Belém e outras capitais contra proibição do aborto em todos os casos
Atualmente no Brasil é permitido aborto em caso de estupro, risco à vida da mulher e em casos de bebês anencefálicos. Caso PEC 181 seja aprovada, será proibido fazer aborto em todos os casos, inclusive em caso de estupro. Se encerrou por volta das 19h30 desta...
Sonia Guajajara: De novo espelhos e badulaques para nós?
Um grupo de deputados ruralistas resolveu realizar um tal “Encontro nacional da agricultura indígena”, o que inicialmente era chamado de audiência pública na Câmara dos Deputados. Realmente, não pode ser chamada de pública aquilo que é privado ou restrito a...
Trabalhadores da EBC decidem entrar em greve na próxima terça (14)
Em protesto à falta de reajuste salarial e à retirada de direitos, jornalistas e radialistas decidem por paralisação
Professor intimado pela USP: “Há triagem ideológica na universidade brasileira”
Marcos Sorrentino responde a sindicância por realizar atividade em parceria com o MST em abril deste ano
Reforma Trabalhista e Retrocesso Social
Nunca é demais lembrar que o retrocesso social que o país experimenta, em todos os níveis, insere-se no contexto do golpe de 2016, golpe que chamamos de midiático-parlamentar-judicial, porque só foi possível com o protagonismo de um parlamento corrupto (com raras exceções), de uma mídia manipuladora e de um judiciário partidarizado.
Morre na Alemanha o cientista político e historiador Moniz Bandeira
O respeitado historiador e cientista político brasileiro Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira faleceu nesta sexta-feira, aos 81 anos, em Heildelberg, na Alemanha, onde residia há alguns anos e era cônsul honorário do Brasil.

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





