ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
UTILIDADE PÚBLICA: Enem não tem a menor possibilidade de ser cancelado, diz Inep
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) descartou hoje (8) a possibilidade de cancelamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano por conta de operações da Polícia Federal para investigar indícios de fraudes...
Hidrelétrica São Manoel: MPF/MT recomenda anulação de licença de operação da usina
Usina não teria cumprido os trâmites necessários para início das operações
Nota de Repúdio às declarações da Ministra Luislinda Valois
As entidades do movimento negro brasileiro repudiam as declarações da ministra Luislinda Valois, que assim como fez o ministro do STF Gilmar Mendes, ao fazer referência a tragédia da escravidão que submeteu milhares de negros a uma condição perversa e desumana...
Paulo Fonteles Filho: Celebração da Esperança
Missa de Sétimo Dia: Paróquia da Santíssima Trindade – Campina – 03/11/2017 – Sexta-Feira às 19:30 horas.
Morre ativista que já nasceu preso pela ditadura: “Não havia algemas para os meus pulsos”
Nascido na prisão durante a ditadura militar, o ativista dos direitos humanos Paulo Fonteles Filho morreu em Belém, na última quinta-feira (26), vítima de um infarto. Ele estava internado há mais de duas semanas em uma unidade de terapia intensiva (UTI), onde...
Ativista de direitos humanos é jurado de morte no Pará
Vi Paulinho Fonteles pela última vez em junho deste ano. Ele me deu uma entrevista na redação do Portal Vermelho denunciando ameaças que vinha sofrendo no PA. Conheço Paulo desde os tempos de UFPa mas não o via há tempos. Eu o admirei ouvindo suas palavras. “A gente não pode se acovardar, baixinha”, ele me disse. Nesta quarta (26) um infarto levou o Paulinho da nossa convivência. Reproduzo o que ficou daquele encontro. Obrigada, Paulo.
Paulinho Fonteles, herdeiro orgulhoso da juventude do Araguaia
"Foste um grande! Destemido, generoso, um amigo solidário de todos que de ti necessitavam. Uma pessoa, no dizer de outro grande, o escritor Eduardo Galeano, uma gentipensante. Assim eras, gentipensante". Por Socorro Gomes* Paulinho Fonteles, Recebi hoje às...
Vandré Fernandes: Paulinho Fonteles não tem medo de morrer!
Conheci Paulinho Fonteles quando nós militávamos na União da Juventude Socialista, a UJS, há uns 20 anos atrás. Mas foi mais recente, depois do filme Camponeses do Araguaia é que nos tornamos grandes amigos. Sem Paulinho seria impossível fazer o documentário...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





