ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Conceito de soberania não existe no governo Temer, diz Gabrielli
A forte pressão popular da campanha “O petróleo é nosso” resultou na aprovação, em 3 de outubro de 1953, do projeto que criava a Petrobras. Não foi uma campanha de uma semana, mas longos cinco anos de mobilização e amplo debate na sociedade.
PF faz operação contra roubo de madeira de terra indígena do Pará
Madeira ilegal era exportada para os EUA, Europa e Ásia. Dano ambiental decorrente do desmatamento é estimado em aproximadamente R$ 900 milhões.
Deputado à venda: Porta dos Fundos ‘tira sarro’ com Wladimir Costa
Um deputado à disposição para ser "comprado" que tem como caraterísticas mau gosto para se vestir, pobreza vocabular e é ficha suja "de fábrica". O perfil, no mínimo preocupante, se refere ao deputado federal cassado Wladimir Costa (SD), um dos mais faltosos na...
Alice Portugal: Câmara tem o dever de afastar Temer
A segunda denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Michel Temer é consistente e estarrecedora. Comprova com dados financeiros que a corrupção é o principal alicerce deste governo desmoralizado. Os fatos cometidos no exercício do mandato presidencial usurpado são graves, mancham a história nacional e precisam ser julgados no STF.
Professores realizam marcha em defesa da educação pública
Professores e alunos da rede estadual de ensino realizaram um ato em frente do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA), na avenida Almirante Barroso, no bairro do Marco, em Belém, na manhã desta quarta-feira (4). O manifesto faz parte da agenda do movimento grevista, em...
Michel Temer vai pousar de helicóptero no Baenão
#FORATEMER
Movimentos sociais farão protesto contra Bolsonaro
Uma reunião na sede da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em Belém, debate nesta segunda-feira (2), a realização de um ato contra a presença do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC), que estará na capital paraense na próxima quinta-feira...
Fascismo não se dialoga, se combate
O fascismo não vai pensar nem duas vezes em te descartar quando for do interesse dele. Então: Não seja tolerante com a intolerância.

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





