ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Paulo Emmanuel
Justiça do PA recebe mandado de prisão contra Regivaldo Galvão, condenado por morte de irmã Dorothy
Fazendeiro teve mandado de prisão expedido em seu nome recebido nas delegacias do estado e pode ser preso qualquer instante.
Trabalhadores rurais voltam a ocupar área onde ocorreu o Massacre de Pau D’Arco
As lembranças dos sacos plásticos ainda são recentes para as mulheres e homens que montam acampamento em uma estrada de chão no município de Pau D’arco, no Sul do Pará. No dia 24 de maio, eles viram passar dentro deles os corpos de dez companheiros na luta pelo...
Testemunhas de chacina em Pau D’Arco dizem que operação policial teve participação de seguranças
Funcionários de empresa privada teriam participado da operação que resultou na morte de 10 trabalhadores rurais na Fazenda Santa Lúcia. Promotoria descarta hipótese de confronto entre posseiros e policiais.
Carta de Paulo Fonteles para sua mãe
Neste domingo (11), completa-se 30 anos do covarde assassinato do ex-deputado e advogado de posseiros paraense Paulo Fonteles. Na série de homenagens, o Portal Vermelho publica uma carta que ele escreveu para sua mãe Cordolina Fonteles (Dona Nita), após a legalização da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1985. Na carta, ele narra seu amor e sua luta na UNE, misturando a intimidade de seu lar. Leia a íntegra.
Paulo Fonteles, 30 anos depois continua presente
Na data em que se completam 30 anos do assassinato brutal do militante comunista e advogado de trabalhadores Paulo Fonteles, o Portal Vermelho dedica-lhe uma homenagem especial com depoimentos e relatos de familiares, amigos e camaradas que conviveram com ele...
Lelio Costa: Paulo Fonteles: 30 anos vivo na memória e na luta do povo
Terra, Trabalho e Independência Nacional”, foi em defesa destas bandeiras que o comunista Paulo Fonteles foi eleito deputado estadual em 1982. O caminho trilhado até ali foi longo e duro. Iniciou sua militância no contexto do infame golpe dos quarteis de 1964....
Cordel para Paulo Fonteles
Do Livro Heróis do País da Cabanagem
Saudoso Deputado Paulo Fonteles,
Da Trinca de Advogados Gratuitos
Ao Vento que sopra do Marajó

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





