ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Relatório aponta 40 ameaças legislativas aos direitos humanos
. O Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Padre João (PT-MG), apresenta uma lista de quarenta ameaças aos direitos humanos que partem do legislativo. Parte das iniciativas já foi aprovada em 2016, parte ainda tramita. O...
Mãe, não consigo dormir.
. O IPF-DH publica a carta de Paulo Fonteles a sua mãe, para partilharmos a necessidade de não se deixar a memória das lutas passadas perder-se nas urgências da resistência que se impõe. Sair da leitura rasa da vida é um desafio que o tempero da memória ajuda a...
Tortura e Ditadura Militar
. O portal UOL lança uma série de 3 matérias sobre como foi organizado no país uma rede clandestina de tortura. A Comissão da Verdade do Pará colaborou com o trabalho junto à jornalista Andréia Lago, que visitou o estado do Pará e encontrou-se com os membros da...
Injeções Letais: Conheça quem foi o capitão-médico Walter da Silva Monteiro, o Menguele do Araguaia
. O Meguele do Araguaia Por Paulo Fonteles Filho. Desde as primeiras expedições do Grupo de Trabalho Tocantins do Ministério da Defesa (MD), ainda em 2009, é que um ex-militar, um dos primeiros a chegar e dos últimos a sair confidenciou-nos que um...
A democracia tem sido corroída pelo Estado de Exceção, por Dilma Rousseff
. Só eleições diretas vão garantir a retomada do crescimento e da geração de empregos e o reencontro com a democracia no Brasil (Foto José Cruz/ABr) por Dilma Rousseff (na Carta Capital) O Brasil caminha para um futuro incerto, a depender do governo...
Seminário abordou o papel e autonomia da Ouvidoria na Segurança Pública do Pará
. Membros de entidades da sociedade civil e de movimentos sociais lotaram o plenário Aldebaro Klautau nesta noite. Promovido pela Comissão de Defesa de Direitos da Criança e do Adolescente da OAB-PA, CEDECA-Emaús, SDDH, CEDENPA, Grupo de Mulheres Brasileiras e...
Edmilson Rodrigues: “Nós somos o povo cabano!”
. CABANAGEM: 182 ANOS DE UM SONHO QUE RESISTE Por Edmilson Rodrigues Por ocasião do 22º ano de fundação do Exército Zapatista de Liberación Nacional do México, que em novembro passado completou 33 anos de existência, seus dirigentes, inspirados no sonho e...
Viva dia 07 de janeiro, promulgado Dia Mundial do Chargista em Defesa dos Direitos Humanos.
. por Paulo Emman “Já começamos dando trabalho pros “homi” Assim se inicia a história da primeira charge publicada no mundo, em litografia, feita pelo francês Daumier em 1873. Uma crítica a monarquia do imperador Gargântua e a sociedade que explorava a população, o...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





