ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Flávio Leão: “Belém é a capital com maior número de favelados do País”
. Guerra às drogas só fez violar direitos, diz juiz Para ele, resultado da política de repressão é a prisão em massa de jovens pobres e negros. O juiz Flávio Sánchez Leão é o titular da 7ª Vara Criminal de Belém, mas responde também pela Vara de Inquéritos Policiais e...
. por Paulo Emman
Altamiro Borges: O sonegador da Fiesp, os patos da Paulista e a corja de larápios
. O sonegador da Fiesp e os patos da Paulista Por Altamiro Borges, em seu blog Após esconderem as suas máscaras carnavalesca do “Japonês da Federal”, o contrabandista, muitos midiotas devem estar pensando o que farão com os patinhos amarelos distribuídos pela...
O semanário francês Politique Hebdo e a Amazônia: um posicionamento crítico sobre a Guerrilha do Araguaia
. Resumo O jornal francês Politique Hebdo (1970-1978/1982) abordou em suas páginas, à época da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985), uma Amazônia que poucos conheciam. Uma Amazônia de guerrilha. Na década de 1960, surgiu no interior da floresta um movimento...
Tainá Marajoara: “Que nossas águas e samaúmas nos protejam”
Por Tainá Marajoara. Bem, sobre o Centro Global não vou me pronunciar. Há 4 anos comunicamos sobre todo o processo de entreguismo que estes projetos promovem na Amazônia e no Brasil. Mas tô adorando ver os artistas e intelectuais saírem da toca. Tomara que tenham se...
Luís Márcio Alvarenga: “Não alimentaremos a cultura do ódio”
Por Luís Márcio Alvarenga Amigos, companheiros e camaradas, que felicidade estar de volta. Aos poucos vou acordando e tomando pé dos fatos que ocorreram comigo nos últimos dias. Estou bem. Graças a Deus em casa, com minha família. Tenho muito a agradecer. Primeiro,...
por Paulo Emman
Eryk Rocha: O golpe também é fruto de uma falta de imaginação política e poética
'O Brasil tem uma historia de golpes, de massacres e guerrilhas. Esse também é um momento fértil e inspirador, propício para se voltar a pensar no pais.' por MD18 (via Blog da Boitempo) A premiação do filme Cinema Novo de Eryk Rocha no último festival de Cannes...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





