ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Haddad: No segundo turno, debate é entre projetos opostos
Em publicação nas redes sociais, na noite deste domingo, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad agradeceu a confiança dos eleitores que o colocaram no segundo turno da disputa presidencial, contra Jair Bolsonaro. Segundo ele, agora, o debate será em torno...
ELEIÇÕES 2018: MAPA DA APURAÇÃO NO BRASIL
Veja o mapa da apuração por município, estado e no país. ACESSE: http://especiais.g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/mapa-da-apuracao-no-brasil-presidente/1-turno/
Breno Altman: “Debater a agenda econômica é o caminho para derrotar Bolsonaro”
Fundador do Opera Mundi avalia que a ausência do candidato do PSL dos debates pode ter mudado a dinâmica da campanha Juca Guimarães As grandes questões nacionais foram os temas centrais das campanhas nos processos eleitorais desde 1989. No entanto, esta...
VIOLÊNCIA: Em dia de votação, apoiadores de Bolsonaro focam em ameaças e descrédito da eleição
Eleitores do candidato do PSL viralizaram fotos de armas e relatos falsos de fraudes nas redes sociais No dia da votação no primeiro turno, eleitores de candidato de extrema direita Jair Bolsonaro (PSL) disseminam apoio à violência e descrédito no processo...
DE FORA: Caciques da base de Temer não conseguem reeleição para o Senado
Principal nome derrotado, o atual presidente do Congresso, Eunício Oliveira (MDB), tinha sua reeleição tão certa que já vinha negociando sua sucessão na nova legislatura. Ficou em terceiro lugar na disputa por Redação, RBA Dentre os integrantes da base...
PSDB foi um dos maiores derrotados na eleição, diz cientista política
"A polarização que tinha antes, entre PT e PSDB, se rompeu", diz Maria do Socorro Sousa Braga. Em São Paulo, voto útil e indecisos levaram Marcio França ao segundo turno contra João Doria por Eduardo Maretti, da RBA Apesar do número de votos de Bolsonaroter...
RESULTADOS: Câmara tem maior renovação dos últimos 24 anos, mas fica mais conservadora
Dos eleitos, 274 são nomes novos, o que representa a chegada de 53,4% de novos parlamentares, em função do número de deputados eleitos pelo PSL, afirma Diap por Hylda Cavalcanti, da RBA A Câmara dos Deputados terá 53,4% de sua composição composta por novos...
REPERCUSSÃO: Imprensa internacional mostra preocupação com resultado das eleições no Brasil
Veículos nas Américas e na Europa noticiam resultados do primeiro turno e alertam para ameaça conservadora de Bolsonaro O resultado do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil foi destaque na imprensa internacional. O site do jornal britânico The...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





