ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Esquerda mantém diálogo aberto para aliança eleitoral
Quatro partidos de esquerda, envolvidos na disputa eleitoral ao Palácio do Planalto, reafirmaram na tarde desta terça-feira (31), a disposição conjunta para a unidade em torno de propostas que possibilitem a saída da atual crise econômica e a construção de um...
PSOL oficializa candidatura de Fernando Carneiro ao governo do Pará
Ele foi escolhido em convenção do partido nesta quarta-feira (1º). A candidata a vice é Tati Picanço. O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) realizou convenção nesta quarta-feira (1º) em Belém e anunciou Fernando Carneiro como candidato ao governo do Pará, e...
Indígenas pedem à Justiça Federal a retirada de invasores das terras Apytereua
Eles denunciam que as áreas estariam sendo alvo de crimes ambientais no sudoeste do Pará. Índios de dez aldeias procuraram a Justiça Federal em Altamira, sudoeste do Pará, para cobrar a retirada de invasores das terras Apyterêua. Eles denunciam que as áreas...
Justiça proíbe Celpa de cortar energia de consumidores cobrados indevidamente no sudeste do Pará
Segundo a ação, a Celpa estava elevando o valor das faturas dos consumidores de forma não condizente com o consumo registrado. A Justiça proibiu a Celpa de cortar a energia elétrica dos consumidores do município lesados por cobranças indevidas. Além disso,...
Metais tóxicos encontrados em Barcarena tem origem na mina da Hydro em Paragominas
Laudo do Instituto Evandro Chagas afirma que a liberação desses metais passa por toda a cadeia produtiva do alumínio Lilian Campelo Os metais tóxicos encontrados em comunidades tradicionais, rios e igarapés em Barcarena, nordeste do Pará, tem sua origem no...
Governo cogita suspender a Hydro no Pará
O secretário de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Thales Belo, relatou ontem, durante oitiva realizada pelos deputados estaduais que compõem a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar a bacia hidrográfica do Rio Pará, que...
Esta charge do Simanca foi publicada no Facebbok
MOBILIZAÇÃO POR LULA LIVRE: Militantes iniciam greve de fome. ‘Com a palavra, Cármen Lúcia’, diz Stédile
Movimento promete que jejum só terminará quando Lula estiver solto. Grevistas responsabilizam Sérgio Moro, desembargadores do TRF e ministros do STF por qualquer consequência mais grave Militantes de entidades ligadas à Frente Brasil Popular iniciam nesta...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





