ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Belém é a última cidade brasileira a decretar situação de emergência com a chegada dos índios venezuelanos
Dez meses após o início da migração em massa de índios Warao, a capital paraense decretou estado de emergência. Mais de 200 indígenas venezuelanos vivem em Belém. Há famílias inteiras pedindo esmolas no centro da cidade. A Prefeitura de Belém decretou na tarde...
Uma pessoa morre a cada 40 horas em rodovias federais no Pará
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Com fechamento do hospital do Guamá, pacientes são atendidos no corredor do PSM da 14
Com o fechamento do Hospital de Pronto Socorro Municipal Humberto Maradei Pereira, no bairro do Guamá, no início de julho, a população que precisa de atendimento médico está tendo dificuldade, já que estão sendo encaminhadas para Unidades de Pronto Atendimento...
PFDC participa de missão em busca de informações sobre mortos e desaparecidos políticos na região do Araguaia
Atividades de escavação, reconhecimento de novos pontos e visitas a locais de memória estão entre as ações previstas A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) realiza nesta semana, entre os dias 16 e 20 de julho, uma missão à região do...
Fragilidade do sistema carcerário no Pará acaba contribuindo para que as fugas aconteçam, explica Susipe
Durante coletiva na tarde desta terça-feira, 10, foram apresentadas novas medidas que o governo irá adotar para o sistema prisional. A Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe) anunciou nesta terça-feira (10), novas medidas que o Governo irá...
UTILIDADE PÚBLICA: Saiba quais doenças voltaram a ameaçar o Brasil
Os primeiros sinais de queda nas coberturas vacinais em todo o país começaram a aparecer ainda em 2016. De lá para cá, doenças já erradicadas voltaram a ser motivo de preocupação entre autoridades sanitárias e profissionais de saúde. Amazonas, Roraima, Rio Grande do...
Seminário em Santarém (PA) sobre povos indígenas e ditadura militar será nesta quarta-feira
Evento é promovido pelo MPF e pela Ufopa Será nesta quarta-feira (11) o seminário que o Ministério Público Federal (MPF) e a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) vão promover em Santarém sobre os povos indígenas e a ditadura militar. O evento, que será...
Esta charge do Jota Camelo foi publicada em A Charge Online

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





