ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Casal é assassinado por suspeito em moto no Guamá, em Belém
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Dias após sair da prisão, homem é assassinado a tiros por motoqueiros na Terra Firme
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VERGONHA: Após criar semana de somente um dia, deputados do Pará voltam atrás e sessões retornam às terças e quartas
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Protesto de estudantes da Uepa interdita a avenida Almirante Barroso em Belém
Os universitários reivindicaram questões como a insegurança na UEPA e o corte de verbas e bolsas de auxílio estudantil. Alunos da Universidade Estadual do Pará (Uepa) fecharam em protesto a avenida Almirante Barroso, em Belém, no início da noite desta...
Servidores do judiciário podem antecipar greve em todo o Pará a partir de hoje
Realizando nesta quarta-feira (20) a quarta paralisação só neste ano, os servidores do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE-PA) anunciaram que poderão antecipar o a greve em todo o Estado. Uma assembleia geral para discutir o tema ocorrerá a partir das 10h, em...
Operação cumpre mandado de busca e prisão de servidores do Detran no Pará
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GOLPE: Para PT, Lava Jato acusa Gleisi para calar Lula
STF julga nesta terça-feira (19) o caso da senadora, presidenta do Partido dos Trabalhadores, e porta-voz de Lula Leonardo Fernandes Nesta terça-feira (19), a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelos casos da Operação Lava Jato,...
PRIVATIZAÇÃO: Venda da Caixa Econômica vai prejudicar financiamento da casa própria a baixo custo
Criada há 157 anos, empresa é um dos alvos atuais da equipe econômica de Michel Temer (MDB) Cristiane Sampaio Criada há 157 anos, a Caixa Econômica Federal (CEF) é um dos atuais alvos da equipe econômica das forças golpistas que integram o governo de Michel...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





