ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
O desafio de incluir a cultura como direito básico e política pública
Ex-ministro Juca Ferreira considera que setor é atingido não só pelas políticas de austeridade, mas pela falta de visão global dos governos. E vê risco de o país tornar-se "parque temático neoliberal". Por Vitor Nuzzi Como praticamente todos os setores, a...
Haroldo Lima: Câmara não pode ceder a “cessão onerosa” da Petrobras
A Câmara dos Deputados vê-se às voltas com uma votação crucial, a que autoriza a Petrobras transferir a “terceiros” áreas altamente prolíferas que ela recebeu da União em condições excepcionalmente vantajosas simplesmente por ser uma estatal brasileira. Por Haroldo...
Estudos apontam que Belém é a capital com mais mortes violentas no Brasil
Em Belém a taxa foi de 77 assassinatos para cada cem mil habitantes. Seis cidades paraenses têm índices de homicídios bem acima da média nacional, de 30,3 mortes para cem mil habitantes. A pior taxa do Pará foi em Altamira (91,9). Um estudo sobre os níveis de...
Belém tem o 4º pior índice de saneamento do país, revela pesquisa
Segundo o Instituto, há, no Pará, apenas 1,18% de tratamento de esgoto, 4,92% de coleta de esgoto, 47,10% de rede de água e a perda de água é 39,72%.
Caminhão carregado com madeira ilegal é apreendido e três pessoas são detidas
Três pessoas foram detidas e autuados por crimes ambientais na última segunda-feira (18), durante operação realizada pela Polícia Civil no distrito de Quatro Bocas, no município de Tomé-Açu, no nordeste paraense. Um caminhão com madeira extraída de forma ilegal...
MPF e MP/PA investigam denúncia de novos vazamentos na refinaria Hydro Alunorte, em Barcarena (PA)
Os integrantes da força-tarefa notificaram a empresa Hydro para que preste esclarecimentos em até 48 horas O Ministério Público recebeu por volta das 14 horas dessa quinta-feira (14) uma denúncia de que estavam ocorrendo novos vazamentos na área do Depósito de...
Integração entre instituições vai garantir maior transparência nas eleições 2018
O TCM/PA fará o levantamento de gestores públicos que tiveram as contas reprovadas Uma reunião na manhã desta sexta-feira (15), na sede do Ministério Público do Estado do Pará (MP/PA), em Belém, marcou o início do trabalho integrado entre instituições de níveis...
MPF pede afastamento do irmão do deputado Wladimir Costa da superintendência do Incra de Santarém
Mário Sérgio e o parlamentar são acusados de improbidade por transformar a superintendência em palanque eleitoral para a família. O deputado também é investigado pelo MP Eleitoral O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça Federal que afaste Mário...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





