ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Jessé Souza: Lava Jato é o maior engodo da história do Brasil
O programa Batalha das Ideias, com o sociólogo e escritor Jessé Souza, abordou na TV 247 nesta semana as contradições da Operação Lava Jato, que age em parceria com o mercado financeiro e a mídia para omitir as reais vias de corrupção do País: enquanto o...
Acusaram o golpe: Estadão conclama “manifesto do cinismo”
O jornal O Estado de São Paulo, porta voz do rentismo da Avenida Paulista, conclama em editorial as forças conseqüentes do país para o manifesto liderado por FHC que defende a formação de um “pólo democrático e reformista”. Por Ricardo Capelli* O Estadão chama...
Novos relatos apontam que base militar no AP esconde cemitério com desaparecidos do Araguaia.
por Carlos Madeiro Relatos colhidos pela Comissão Estadual da Verdade do Amapá apontam para um local onde estariam restos mortais de desaparecidos da guerrilha do Araguaia nos anos 1970. Segundo depoimentos, mortos na Ditadura Militar (1964-1985) teriam sido...
Alta dos combustíveis é fruto da política de desmonte da Petrobras no governo Temer
Nos últimos 12 meses, gasolina subiu 18%; aumentos ocorrem devido à decisão de aderir a preços internacionais por Rafael Tatemoto Protestos de caminhoneiros no país têm chamado a atenção para o custo dos combustíveis derivados de petróleo no Brasil, situação...
ENSINO SUCATEADO: Pará recebe R$21 milhões em recursos emergenciais para educação
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‘Em cada bairro de Belém existe pelo menos uma milícia sendo investigada’, diz promotor
Armando Brasil afirma que baixa efetividade na elucidação dos casos serve como combustível para aumento do envolvimento de policiais militares e agentes públicos no crime. Por Jorge Sauma, Belém Para cada bairro da região metropolitana de Belém (RMB), pelo menos um...
Corpo de PM morto a tiros no bairro do Una é velado na Paróquia dos Capuchinhos
Policial estava com a esposa quando foi abordado por motoqueiros armados. Ele foi atingido na cabeça. Corpo do sargento Sebastião Rosário Miranda, assassinado na manhã desta terça-feira (22), no bairro do Una, em Belém, é velado na capela Paróquia São Francisco...
Dois PMs morrem em um dia; policial vítima de atentado no Sideral não resistiu
O sargento da Polícia Militar Elias Brasil da Silva morreu na manhã desta terça-feira (22). Ele estava internado há mais de um mês no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE), em Ananindeua, após sofrer um atentado no campo do Chaveirinho, no...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





