ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Em operação conjunta, MPF e PF combatem compra de ouro ilegal no oeste do Pará
Justiça Federal ordenou a suspensão das atividades da Ourominas em Santarém, buscas e apreensões e o bloqueio de bens dos envolvidos. Operação conjunta da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF) deflagrada nesta quinta-feira (10) fez buscas e...
Esta charge do Zepa Ferrer foi publicada no Facebook
História, memória e luta em homenagem a Fonteles no Rio de Janeiro
Por: Clarice Manhã Militantes, amigos e familiares se reuniram na noite desta sexta-feira no lançamento carioca da biografia Paulo Fonteles Sem Ponto Final, na Casa Pública, filial da Agencia Pública de Jornalismo Investigativo, em Botafogo. O encontro foi marcado...
Paulo Fonteles Sem Ponto Final é lançado no Rio
0 Militantes, amigos e familiares se reuniram na noite desta sexta-feira no lançamento carioca da biografia Paulo Fonteles Sem Ponto Final, na Casa Pública, filial da Agência Pública de Jornalismo Investigativo, em Botafogo. O encontro foi marcado pela emoção e...
Esta charge do Pater foi publicada em A Tribuna
Trajetória de Paulo Fonteles é exemplo de luta pela justiça
CEZAR XAVIER O lançamento da biografia do advogado e deputado comunista Paulo Fonteles, assassinado no Pará em junho de 1987, foi marcado pelo simbolismo da luta pela justiça. Em São Paulo, o evento ocorreu no futuro Memorial da Luta pela Justiça, onde na noite...
Fonteles: em livro, memória do advogado dos sem-terra é resgatada no Rio
Advogado que militou numa das áreas mais ingratas do Direito brasileiro, a questão fundiária, Paulo Fonteles será relembrado em ato em homenagem e sua memória que inclui o lançamento do livro"Paulo Fonteles Sem Ponto Final". Morto por pistoleiros em 1987,...
Comissão de Direitos Humanos lamenta e repudia mortes de civis e agentes de segurança pública nos últimos dias
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Pará, por meio da sua Comissão de Direitos Humanos, repudia e lamenta as mortes de civis e agentes de segurança pública registradas nos últimos dias. A luta pelos direitos humanos se entende como garantia fundamental...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





