ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
HABEAS CORPUS DE LULA: Decisão do STF sobre ‘odiosa’ antecipação de pena de prisão é uma incógnita
Para criminalista Leonardo Yarochewsky, princípio da presunção de inocência independe de quem for o autor de um habeas corpus. Julgamento tem clima de tensão na 'mais alta Corte' do país por Eduardo Maretti, da RBA A decisão a ser tomada pelo Supremo Tribunal Federal...
Prisão após condenação em 2ª instância pode agravar encarceramento em massa
Posicionamento do STF pode afetar 50 mil pessoas/ano; tema será debatido pelo STF nesta quinta (22) por Juliana Gonçalves Uma pessoa pode ser presa mesmo que ainda não tenha uma condenação definitiva, ou seja, quando ainda não estão esgotados todos os recursos e...
Movimentos populares ocupam área da Coca-Cola contra a exploração comercial da água
Fábrica em Samambaia, no DF, foi paralisada por meia hora; Fórum Mundial da Água virou encontro de corporações Da redação Por volta das 5h30 da manhã desta quinta-feira (22), cerca de 350 militantes organizados em movimentos populares ocuparam o parque...
Problema em usina elétrica no PA pode ter causado apagão no Norte e no Nordeste
Celpa informou que pane foi em Tucuruí. Ministro de Minas e Energia diz que problema foi em Belo Monte. Pelo menos treze estados foram afetados. As Centrais Elétricas do Pará (Celpa) informou que um problema na geração de energia da usina de Tucuruí, nordeste no Pará,...
Brasil registra quase 60 mil pessoas assassinadas em 2017
São 59.103 homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Número é o maior dos últimos anos. G1 lança nesta quinta-feira (22) novo projeto do Monitor da Violência que irá acompanhar mês a mês os dados de crimes violentos no país. O Brasil teve no ano...
Vanessa defende que a gestão da água não pode ser privatizada
A líder do PCdoB no Senado, Vanessa Grazziotin defendeu em entrevista à TV Senado, que a gestão da água não deve ser privatizada. Para ela, o Brasil está na contramão do mundo ao querer privatizar a água e trata-la como mercadoria. “Sabemos qual é o objetivo de...
Governo cria comitê para avaliação de vazamento de barragem em Barcarena, PA
Governo cria comitê para avaliação de vazamento de barragem em Barcarena, PA O vazamento de barragem em Barcarena, no nordeste do Pará, terá um comitê especial que acompanhará o processo de reconstrução da região. O socorro e a assistência aos atingidos, o...
Hydro mistura pó tóxico aos rejeitos de bauxita em Barcarena
O argumento da Hydro Alunorte de que o processo de beneficiamento da bauxita para produção de alumina não contamina o meio ambiente no município de Barcarena, cai por terra definitivamente. Uma fonte interna da empresa norueguesa confirmou com exclusividade ao...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





