ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Boff: Temer está provocando o povo e país pode ter uma convulsão social
“Quando se deram conta de que as políticas sociais se tornariam políticas de Estado consolidadas, eles deram o golpe”, disse o teólogo Leonardo Boff, no programa 'Entre Vistas', da TVT O teólogo e escritor Leonardo Boff avalia que o governo de Michel Temer está...
QUESTÃO DE SOBERANIA: Um país só é protagonista se for ‘profundamente nacionalista’, diz Paulo Nogueira
Para ex-diretor do banco dos Brics e do FMI, não existe debate de ideias na economia e na mídia: prevalece a visão da "turma da bufunfa", como ele se refere ao sistema financeiro por Vitor Nuzzi, da RBA "Eu não vejo como um país possa emergir de uma posição...
TST ignora inconstitucionalidades e acelera adequação à “nova CLT”
Os 27 ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reúnem-se nesta terça-feira (6) para discutir alterações promovidas pela Nova Lei Trabalhista (13.467), oriunda de "reforma" da legislação. A nova norma entrou em vigor em 11 de novembro de 2016. As...
Governo brasileiro quer impor a liberação de novos transgênicos sem nenhum controle
Resolução da CNTBio abre caminhos legais para uso de técnicas de modificação genética altamente perigosas. por Silvia Ribeiro* A Comissão Nacional Técnica de Biossegurança (CTNBio), instância que faz parte do Ministério da Ciência e Tecnologia, aprovou, no...
UTILIDADE PÚBLICA: Prouni – inscrições estão abertas e vão até o dia 9 de fevereiro
São 242 mil bolsas de estudo integrais e parciais em instituições de ensino superior particulares. As inscrições para o Programa Universidade para Todos (Prouni) foram abertas nesta terça-feira (6), no site http://siteprouni.mec.gov.br/. O prazo para os...
Mesmo com 14 homicídios por dia, Jatene exalta Segurança Pública
Os protestos relacionados ao caos na Segurança Pública do Estado marcaram a abertura do expediente de ontem na Assembleia Legislativa do Pará. Simão Jatene (PSDB), em seu último discurso para a ocasião enquanto governador, foi vaiado ao comemorar, em meio a um...
Justiça barra aumento de IPTU proposto por Zenaldo
O Tribunal de Justiça do Estado do Pará, através da 5ª Vara da Fazenda Pública de Belém, emplacou mais uma derrota para as pretensões do prefeito Zenaldo Coutinho, e decidiu barrar o aumento do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) na capital. A decisão atendeu...
Seminário vai apresentar trabalho do Ministério Público de Contas do Estado
Programado para o próximo dia 28, evento tem entre os convidados o procurador-chefe do MPF no Pará, Alan Mansur. O Ministério Público de Contas do Estado do Pará (MPC-PA) vai realizar no próximo dia 28 o 1º Seminário MPC-PA e Sociedade, evento que vai promover...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





