ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Ação popular pede que seja anulada a nomeação do filho do deputado Wladimir Costa para cargo federal
Yorran Costa, de 22 anos, foi nomeado para o cargo de delegado da Delegacia Federal de Desenvolvimento Agrário do Estado do Pará e deve gerenciar R$ 100 milhões. Uma ação popular ajuizada Justiça Federal quer cancelar a nomeação de Yorran Costa, de 22 anos,...
PGR anuncia criação de força-tarefa para investigar casos de trabalho escravo na Fazenda Brasil Verde
Anúncio foi feito em Londres. Medida busca garantir cumprimento de decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, anunciou nesta quarta-feira (24), durante palestra no King's College, em Londres, a...
Prefeitura se compromete a fazer novo cadastro para urbanização de bairro de palafita em Belém (PA)
Objetivo é permitir que decisões sobre projeto de urbanização da Vila da Barca sejam tomadas a partir de dados socioeconômicos atualizados A Prefeitura de Belém (PA) se comprometeu a realizar um novo cadastro socioeconômico das famílias do bairro da Vila da...
Mensagem aos democratas brasileiros
(...) 'se a indignação, longe de nos fazer desistir, reforçar o inconformismo e municiar a resistência, se a raiva ante sonhos injustamente destroçados não liquidar a vontade de sonhar (..) É com estes pressupostos que me dirijo a vós. Uma palavra de análise e outra...
Paulo Emmanuel
Democracia brasileira rumo ao abismo, diz artigo do NYT; veja destaque internacional
Futuro político do Brasil é analisado por publicações como o jornal inglês The Guardian e o econômico Financial Times. Em um artigo de opinião do jornal The New York Times, o economista estadunidense Mark Weisbrot prevê um futuro político nebuloso para o Brasil...
Orlando Silva: O julgamento de Lula é de todos nós
O julgamento do recurso do ex-presidente Lula no TRF-4, contra a sentença proferida pelo juiz Sergio Moro no famoso “caso do tríplex”, por seu contexto e possíveis implicações, reveste-se de importância histórica. O ambiente de caçada judicial a Lula e a...
Maior que o Lula: o que está em jogo dia 24 de janeiro
A discussão sobre o direito de Lula ser candidato às próximas eleições é carregada de sentimentos. Se, por um lado, falamos da privação do direito de uma grande parcela da população que anseia por sua candidatura, é preciso abordar com humildade os anseios do campo...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





