ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Margarida Salomão: O golpe do satélite e a conta do cidadão
O caso do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicação (SGDC) traduz com significativa nitidez tanto o momento de dificuldade que vivemos como o perfil do governo contra o qual lutamos. Primeiro satélite produzido integralmente com tecnologia nacional, o...
Economia brasileira está no fundo do poço e sem norte, diz Sicsú
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Marchezan Jr alega temer ameaça de confronto propagada em redes sociais. Porém, o próprio prefeito, ligado ao MBL, já usou várias vezes perfil oficial para fazer brincadeira contra integrantes do PT por Lilian Milena, do GGN O prefeito de Porto Alegre, Nelson...
Brasil na encruzilhada: entre 1968 e 1988
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Greve e paralisação na segurança pública seguem no RN
Há mais de 20 meses o governo vem atrasando o pagamento do servidores por Janaína Lima A gestão do governador Robson Faria (PSD) no Rio Grande do Norte está sendo marcada por greves e paralisações dos servidores do estado, desde novembro de 2017 foram intensas...
Professores de Santo Antônio do Tauá protestam contra salários atrasados
Eles denunciam o não recebimento do salário de dezembro e a falta do pagamento de 20% do décimo terceiro salário. Prefeitura não se pronunciou sobre o caso. Professores da rede de ensino municipal de Santo Antônio do Tauá, no nordeste do Pará, protestaram nesta...
UTILIDADE PÚBLICA: Pré-matrícula de novos alunos na rede estadual termina esta semana
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Dono de agência de empréstimos é detido em investigação sobre esquema de estelionato no Marajó
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O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





