ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
MPPA e Governo debatem participação do terceiro setor nas realizações de políticas públicas
Seminário integra a programação da Semana do Ministério Público, com o tema “O Ministério Público em Defesa da Cidadania”, em Belém. O Ministério Público do Pará (MPPA) realiza um seminário para debater o terceiro setor, em parceria com o Núcleo de Articulação...
Petróleo e Previdência, duas pautas polêmicas em debate na Câmara
Duas polêmicas pautas estão nos assuntos da Câmara dos Deputados nesta semana: a MP 795, que permitirá a renúncia fiscal de mais de R$ 1 trilhão em 25 anos pelo governo Temer a petrolíferas e incentivo à importação de bens da indústria produzidos no exterior, e...
Pergunta do Milhão: Como combater a intolerância e o preconceito na internet?
O ambiente em que o país mergulhou a partir de 2014 é refratário ao respeito aos direitos humanos – cada vez mais ridicularizados e ignorados por setores que perderam o pudor em se apresentar publicamente – e refratário à própria democracia. O objetivo de...
EXCLUSIVO | Lula: “Fome está voltando no Brasil por irresponsabilidade dos golpistas”
Em entrevista exclusiva, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala sobre as consequência do golpe para o país. por Beatriz Pasqualino Fome, desemprego e perda de direitos históricos. Esses são alguns exemplos do impacto do golpe na vida dos brasileiros,...
Duciomar e esposa têm prisões temporárias convertidas para domiciliar
O ex-prefeito de Belém, Duciomar Costa, e a esposa dele, Elaine Baía Pereira, tiveram as prisões temporárias convertidas para domiciliar. Os dois retornaram para casa na manhã deste sábado (2), um dia após serem encarcerados pela Polícia Federal. A decisão foi...
Ex-prefeito de Belém Duciomar Costa é preso em operação do MPF
Mandados contra o ex-prefeito e oito comparsas foram deferidos pela Justiça Federal e cumpridos nesta sexta-feira (1º) pela Polícia Federal. A pedido do Ministério Público Federal (MPF), a Justiça Federal expediu mandados de prisão temporária, de condução...
Incra aceita acordo proposto pelo MPF para regularização de assentamentos no Pará
Os chamados assentamentos fantasmas, ou assentamentos de papel, haviam sido criados sem estudos ou licenciamento e, segundo o MPF, beneficiavam madeireiros. O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) anunciou nesta sexta-feira (1º) que a...
Estudantes vivem momentos de terror em arrastão no campus da UFPA em Belém
Segundo estudantes, por volta das 20h desta sexta-feira cerca de 20 homens entraram na instituição e levaram vários pertences de alunos. Alunos denunciam ainda que não viam seguranças circulando pelo local. Estudantes e professores da Universidade Federal do...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





