ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
PM é absolvido das acusações de envolvimento na chacina de Santa Isabel
O assassinato de sete pessoas de uma mesma família ocorreu em agosto de 2011. Os jurados consideram que o PM não teve envolvimento em nenhuma das mortes. Um policial militar foi absolvido nesta segunda-feira (27) de envolvimento no crime que ficou conhecido...
Orlando Silva: Impedir o enterro da CLT
A entrada em vigor da reforma trabalhista, no último dia 11 de novembro, deu as primeiras mostras do que promete ser o mundo do trabalho pós destruição da CLT: o império da lei do mais forte, da ganância sem limites. Por Orlando Silva* Logo no primeiro...
Câmara analisa processos contra deputado Wladimir Costa
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados analisa nesta terça-feira (28), a partir das 14h30, dois pareceres preliminares sobre processos contra o deputado federal Wladimir Costa (SD-PA) por quebra do decoro. As representações foram protocoladas pelo PSB e o...
MPF defende obrigatoriedade de consultar povos afetados por empreendimentos hidrelétricos na Amazônia
Mesmo cancelada pelo Ibama, usina São Luiz do Tapajós vai ser novamente julgada no TRF1 por desrespeitar o direito de consulta prévia, livre e informada. Cancelada há pouco mais de um ano pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), a usina de São Luiz...
QuilomBOX: uma ferramenta de combate ao genocídio da juventude negra.
Por Naiane Queiroz* “A luta contra o Extermínio da Juventude Negra não é algo novo, a luta continua, não acaba hoje” A fala da Jurema Wernek diretora da Anistia Internacional Brasil, expressa um sentimento comum a todxs que de alguma forma se colocam na linha...
Justiça de Marabá decide despejar 2,8 mil acampados do MST no sul do Pará
Movimento ocupa área desde 2010; ação de despejo será realizada na próxima segunda-feira. O Tribunal de Justiça do Estado do Pará determinou, nesta quinta-feira (23), a reintegração de posse do acampamento Helenira Rezende, onde vivem 700 famílias em Marabá,...
Pedro Cardoso declara apoio à greve da EBC e abandona programa da emissora
Ator ainda criticou manifestações racistas do presidente da companhia, Laerte Rimoli. O ator Pedro Cardoso, 54 anos, abandonou o programa ao vivo Sem Censura, da TV Brasil, em apoio à greve dos trabalhadores da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), e em repúdio...
Ex-prefeito de Igarapé-Miri é preso por liderar quadrilha que desviada dinheiro público
Alisson do Amaral também responde por homicídios e envolvimento com grupo de extermínio. O ex-prefeito de Igarapé-Miri, Alisson Santa Maria do Amaral, foi preso nesta quinta-feira (23) e encaminhado para a Delegacia de Repressão ao Crime organizado, em Belém....

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





