ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Rafael Lima: depoimento sobre a dor da perda de Paulinho Fonteles
De Rafael Lima* Paulo Fonteles Filho, Paulinho, como carinhosamente era conhecido se foi, partiu pra outra dimensão. Impulsionado não sei porque, talvez pela nossa proximidade, nossa amizade, fui visita-lo, no hospital, no domingo, 22/10, porque me ausentaria...
A queda de braço entre o ENEM e a Escola Sem Partido
Por Amara Moira Pra quem tava na expectativa de ver como o ENEM reagiria à decisão judicial que considerou inconstitucional a norma que zerava redações que desrespeitassem os direitos humanos, decisão judicial referendada pela própria presidenta do STF Cármen...
Senadores protocolam representação contra privatização da Eletrobras
As senadoras Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) e Lídice da Mata (PSB-BA) e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolaram representação junto à Procuradoria-Geral da República contra a privatização da Eletrobras proposta pelo governo de Michel Temer.
Monitor da Violência: governo do Pará repassa informações de apenas 15% das mortes violentas no estado
Novo levantamento feito pelo G1 mostra o andamento dos inquéritos. São 102 casos no Pará, mas 85% seguem sem informações completas. No Brasil, são 1.195 mortes em apenas uma semana.
Operação da PF e CGU investiga desvio de merenda escolar em Castanhal, no Pará
Investigações apontam irregularidades na contratação de associação para fornecimento de itens da agricultura familiar às escolas do município.
DIAP lança cartilha com perguntas e respostas sobre a Reforma Trabalhista
Prestes a entrar em vigor, a Lei 13.476, que trata da Reforma Trabalhista, ainda é uma incógnita para as organizações sindicais e os trabalhadores. Cheia de inconstitucionalidades e armadilhas, a chamada Reforma Trabalhista é um Novo Código do Trabalho, que substitui a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) para regulamentar restrições e desregulamentar direitos outrora conquistados pelos trabalhadores.
PCdoB apresenta pré-candidatura de Manuela à Presidência em 2018
A presidenta nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE) apresentou a pré-candidatura de Manuela D’Ávila às eleições presidenciais de 2018, na tarde desta quarta-feira (8). A coletiva de imprensa aconteceu no Salão Verde na Câmara dos Deputados, em...
RACISMO: Afastamento de William Waack é notícia no ‘Jornal da Globo’
A TV Globo anunciou o afastamento de William Waack na abertura do “Jornal da Globo”, telejornal diário apresentado pelo jornalista, na madrugada desta quinta-feira. Renata Lo Prete, âncora da Globo News e substituta oficial de Waack no noticiário, leu o texto...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





