ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Desmonte dos Correios é criticado na Câmara
Eles tentam passar a ideia de que os Correios são inviáveis. Mentira. O que é inviável é esse governo. Por isso, os trabalhadores se levantam e estaremos ao seu lado sempre.” Esse foi o tom do discurso do deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) no Plenário da Câmara nesta quarta-feira (4). Para o parlamentar, a estatal vive uma de suas maiores ameaças atualmente: a tentativa de privatização pelo governo de Michel Temer. “Eles já nem escondem sua intenção. Falam abertamente disso”, criticou.
O voto de Bolsonaro e o país que não esquecemos
Relembrar é viver, fascistas não passarão.
Presidente Michel Temer assina protocolo de intenção e entrega oficialmente terreno pertencente à Arquidiocese de Belém
O presidente assinou um protocolo de intenção e entregou oficialmente um terreno da arquidiocese de Belém localizado na avenida Gentil Bittencourt até então mantido com a União em uso pelo Exército Brasileiro. Do lado de fora protestos… #foratemer.
Caiuá, a ong de R$ 2 bilhões que se tornou dona da saúde indígena do Brasil
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Câmara conclui votação de novas regras eleitorais
Por Iberê Lopes, PCdoB na Câmara A Câmara dos Deputados concluiu, na noite desta quarta-feira (27), a votação dos destaques, apresentados em segundo turno, à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 282/16, sobre coligações partidárias, cláusula de desempenho e...
Mulheres quilombolas falam sobre violência e busca por direitos no Pará
No estado há 420 comunidades, sendo 120 tituladas, segundo a coordenação da Associação Malungu. Na fotografia acima estão Valéria Carneiro e Érica Monteiro
Ataques a templos de religiões de matriz africana são tema de diálogo com a PFDC
Encontro reuniu representantes de terreiros de diferentes estados e buscou construir estratégias para garantir proteção ao direito de liberdade religiosa
“Aécio está pagando pelo que fez”, diz Gleisi; Senado adia decisão de afastá-lo
Senado e STF vivem mais um episódio da crise que se instaurou entre os poderes após afastamento do senador tucano.

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





