ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Polícia suspeita que morte de agricultor pode ter ligação com disputa de terras no sul do Pará
Crime aconteceu na noite de sábado, 2. Idoso foi morto a tiros na casa onde morava em um assentamento rural.
Desmonte da ciência: Golpista Temer corta 44% das verbas; Museu Goeldi pode fechar pesquisa e zoológico
A ciência brasileira anda à míngua. Os recursos federais para o setor, que já vinham em trajetória descendente nos últimos anos, deverão ser em 2017 os menores em mais de uma década. Do orçamento de R$ 6 bilhões proposto no começo do ano, apenas R$ 3,3 bilhões poderão...
Guerrilha do Araguaia: Justiça acata denúncia contra Curió e Lício Maciel, acusados de crimes na ditadura militar
A juíza Nair Cristina Corado Pimenta de Castro, de Marabá, aceitou, nesta quarta-feira (29), a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) do Pará contra coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, e Lício Augusto Maciel, acusados de crimes cometidos na repressão à guerrilha do Araguaia. Trata-se de uma decisão inédita na Justiça do Brasil.
Os números da insegurança no Pará
“A característica maior na nossa região é a pobreza. Uma coisa que ninguém fala mas que é a mãe geradora de todos estes males.”
“Moro ama publicidade”, diz advogado que representa Lula na ONU
CATIA SEABRA SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Advogado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva perante o Comitê de Direitos Humanos da ONU, Geoffrey Robertson chamou o juiz Sergio Moro de "egomaníaco". Durante jantar na noite de quarta-feira (30), em São Paulo,...
Polícia Federal deflagra operação em combate à extração ilegal de madeira
A Polícia Federal, em conjunto com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS) e a Polícia Civil , deflagrou, na manhã desta quinta-feira (31), a Operação Tembé em Nova Esperança do Piriá, no nordeste paraense. De acordo com informações...
Funai vai selecionar estagiários para quatro unidades do Pará
No DOU de 29/08, seção 3, página 101 e seguintes, foi publicado o Edital Nº 3, de 28/08/2017, que trata do Processo de Recrutamento e Seleção para Estágio Remunerado de Estudantes de Nível Médio e Superior da Fundação Nacional do Índio. Para participar do...
Palmas de Monte Alto: Comissão Especial inicia procedimento de exumação dos restos mortais de João Leonardo
Exumação dos restos mortais de João Leonardo (Fotos: Vilson Nunes / Rádio Visão FM)

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





