ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Justiça Federal vai ouvir 20 etnias em processo sobre o atendimento de saúde
O pedido não está previsto no Código de Processo Civil, mas MPF requisitou aplicação dos princípios da Convenção 169 da OIT, que protege direitos de povos indígenas.
OAB-PA cobra celeridade nas investigações do assassinato de advogado em Belém
Pela manhã, o presidente da OAB-PA, Alberto Campos, juntamente com o secretário-geral e presidente da Comissão de Defesa de Prerrogativas, Eduardo Imbiriba, liderou comitiva da instituição que reuniu com o delegado-geral da Polícia Civil do Estado do Pará, Rilmar...
Em Marabá, cerca de 5 mil pessoas se reúnem para a 9ª Parada LGBT
Este ano, o evento trouxe o tema “Educação inclusiva e sem LGBTfobia”.
Luciana Santos: Governo Temer e o desmonte do Estado Brasileiro
Em entrevista à Câmara Hoje, a presidenta nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos (PE) explicou sobre a Medida Provisória (MP) 777/17, que extingue a Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP) e cria a Taxa de Longo Prazo (TLP) para financiamentos concedidos pelo Banco...
Índios Munduruku querem indenização por dano de usinas São Manoel e Teles Pires no caso das urnas funerárias
A indenização, segundo as lideranças, servirá para garantir recursos para educação e saúde de 138 aldeias do povo (Foto: Adaisio Munduruku/Pusuru)
Licença simplificada e mineração são prioridades para Amazonino e Braga no Amazonas
Os dois candidatos, que disputaram a eleição suplementar no domingo (27), não destacaram ações para os indígenas e meio ambiente (Imagem da Floresta Nacional Reserva Urupadi, em Maués (AM), ameaçada de redução/Foto Daniel Beltrá/Greenpeace).
Professor que denunciou corrupção é executado a tiros em Igarapé-Açu
Um professor de sociologia foi assassinado na tarde deste domingo (27), no município de Igarapé-Açu, nordeste paraense. Ele estava em frente à sua residência quando foi atingido com um tiro na nuca disparado por ocupantes de um carro. A vítima é Paulo Henrique...
Paulo Emmanuel

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





