ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
As eleições e a democracia: qual futuro?
Francisvaldo Mendes, presidente da Fundação Lauro Campos As eleições de 2018 são de um diferencial significativo na vida das pessoas. Quem possui mais de 50 anos guarda a lembrança da ditadura militar no Brasil. As outras pessoas possuem lembranças de um país sem...
Unifesspa se compromete com o MPF a cumprir leis que determinam reserva de vagas em concursos
Reserva deverá considerar todas as vagas de cada concurso, e não só as dos editais de abertura A Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) se comprometeu com o Ministério Público Federal (MPF) a cumprir a obrigação legal de reservar vagas para...
Homens são assassinados a tiros na Cabanagem
Segundo as investigações, atiradores em um carro preto perseguiram as vítimas. Dois homens foram assassinados na sexta-feira (12), no bairro da Cabanagem, em Belém. Atiradores em um carro preto se aproximaram das vítimas. Igor Silva Barros, 19 anos, foi...
Esta charge do Sid foi publicada em
Haddad: ‘Bolsonaro é a representação de tudo o que tem de pior em violência’
Afirmação foi feita em coletiva na manhã desta sexta-feira, depois que ontem a comitiva de Haddad foi ameaçada por apoiador do adversário, que também fez ataques verbais à Igreja Católica por Redação RBA O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad,...
POSICIONAMENTO – Fábio Assunção: “Criou-se um ódio absoluto a um partido democrático”
Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, ator se posiciona contra a intolerância e critica a defesa do porte de armas Lu Sudré Assim como outros atores e integrantes de classe artística, Fábio Assunção acredita que em momentos de intolerância política é...
Haddad no 2º turno, incorpora propostas do PSOL em seu programa
Junto com o nosso apoio a Fernando Haddad no 2º turno, apresentamos quatro propostas que foram incorporadas ao programa da sua campanha. Estamos juntos pela democracia! #DitaduraNuncaMais #EleNão...
Posição política do MST em relação ao 2° turno das eleições presidenciais no Brasil
Entendemos que nessas eleições estão em disputa dois projetos. E nos posicionamos a favor do projeto que defende os trabalhadores e trabalhadoras, a democracia e um país mais justo e soberano Da Página do MST O MST manifesta seu apoio à candidatura de Fernando...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





