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Em 31 de março de 1964 aconteceu o Golpe Militar no Brasil. Para lembrar esta data, nesta sexta feira, 31, a Faculdade de Comunicação (Facom) realizou o debate “Histórias da ditadura, 53 anos depois do golpe”. Com ajuda do Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos e da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Pará, o evento foi realizado no auditório Rio Guamá da Coordenadoria de Capacitação e Desenvolvimento da UFPA (Capacit). O evento também lançou o livro Depois da Rua Tutoia, do jornalista Eduardo Reina.  A mesa de debate contou com a professora e vice-deiretora da Facom, Rosaly Brito; o autor Eduardo Reina; Thais Peixoto – representante da OAB – e com o presidente do Instituto, Paulo Fonteles Filho.

O inicio do debate se deu com o book trailer do Depois da Rua Tutoia, que apresenta um romance baseado na pesquisa de Reina sobre bebês desaparecidos na Ditadura. Na mesa, foram apresentados seis casos reais de crianças afetadas por esse período. A sexta foi o presidente do Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos, Paulo Fonteles Filho, que nasceu enquanto seus pais estavam presos. “Para a minha mãe, o único modo de enfrentar aqueles lobos foi me dar à luz”.  A partir daí, a discussão abordou a Comissão da Verdade, o a situação política brasileira e como as questões de violência policial hoje se assemelham as de antigamente.

O evento contou com estudantes de Comunicação Social, Direito e outros interessados no assunto. Um dos ouvintes, Renan Monteiro, aluno de Jornalismo, comentou como esse evento é relevante. “Esse tipo de evento é muito importante para nós, jovens, que precisamos conhecer mais sobre todo o processo dos anos de ditadura militar”. O mestrando Tarcizio Macedo, do Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCOM), realçou a indispensabilidade da discussão: “É um resgate necessário de se fazer na historia do país. Foi uma coisa que foi debatida: esse acesso à informação dessa memória que existiu sobre o período da ditadura no Brasil é super necessário para que a gente não repita esses erros no futuro.”

Educação pela memória – A professora doutora Rosaly Brito – assim como Reina e Paulo – afirma que “a gente precisa trazer essa memória pra que os jovens que estão na Universidade hoje possam ter contato com barbárie do regime militar, com todas as violações dos direitos humanos praticados, todo o arbítrio e todo o autoritarismo, pra que, ao ter contato cm isso, eles vejam o quão importante é fortalecer a experiência democrática no Brasil”. Por isso, para ela, a importância e o objetivo do evento estão no reavivar das questões enfrentadas na época.

“Filho desta raça não deve nascer” – A fala de um dos guardas da prisão onde a mãe de Paulo Fonteles Filho foi presa, para Reina, é uma dos relatos que o motiva a continuar seu trabalho de pesquisa sobre as crianças desaparecidas por causa do Governo Militar. “Será que é porque não existem essas crianças? Na verdade não foram sequestradas? Claro que não”. Essa motivação inspirou o seu primeiro romance: Depois da Rua Tutoia. A pesquisa de financiamento próprio originou o livro, lançado e vendido pela ”Editora 11”, mas ainda não está no fim. “Vai ter outro livro, não mais um romance, mas agora um livro reportagem relatando esses casos. Então, acho que o romance cumpriu o papel dele, que foi jogar luz no tema, e o tema esta prosseguindo agora”, conta o autor.

Parte da história do Brasil – Para Paulo, a importância de debates assim não está somente na divulgação da informação, também é um cumprimento de dever. “Eu me sinto parte da história do Brasil, porque não é apenas a historia individual, é a história do Brasil recente, da violência do estado, da ditadura militar, de um período tão sombrio sobre o povo brasileiro, sobre os trabalhadores, sobre a juventude e a infância brasileira. Então, eu tenho que falar sobre isso porque essa é minha tarefa.”

Isso me diz respeito – A série de debates, originada no projeto Trama coletiva (antiga Facom 4.0), tem o objetivo de debater entre os alunos de comunicação assuntos relevantes à vida cotidiana, com abordagens históricas, sociais e políticas. “Nesse meio tempo a gente já discutiu varias coisas, como diversidade de gênero e raça. A gente já discutiu a questão da redução da maioridade penal (leia mais aqui). Nós discutimos também, no ano passado, a questão da censura e a relação entre o cenário político e a mídia no processo do impeachment da ex-presidente Dilma. Então, a gente vem trazendo e colocando em pauta uma série de questões q estão na ordem do dia da vida social e que interessam muito de perto aos alunos de comunicação em geral”, relata a vice-diretora.

Texto: Alice Palmeira – Assessoria de Comunicação da UFPA
Fotos: Alexandre Moraes

Fonte: https://portal.ufpa.br/imprensa/noticia.php?cod=12760