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Jorge Panzera*

O dia 20 de fevereiro marca a passagem do oitavo ano do desaparecimento físico de nosso camarada Neuton Miranda. Neuton viveu intensamente importantes fases da vida política nacional, da resistência à ditadura militar, a redemocratização, a queda dos regimes socialistas, o enfrentamento à agenda neoliberal e o ciclo político popular, com o governo Lula. Nesse tempo todo foi um homem de um lado, o lado da luta do povo.

Iniciou na militância nos tempos da Faculdade de Engenharia da UFMG, quando era conhecido como Viet e atuava no movimento estudantil. Apelido aliás que o salvou da prisão, pois quando a repressão o procurava como o estudante Neuton, ninguém sabia quem era, só se conhecia o Viet. Essa militância o levou a ser eleito vice presidente da UNE.

Depois de uma passagem por São Paulo, já no PCdoB, sob orientação de João Amazonas, volta ao Pará com a missão de ajudar a reorganizar o Partido no seu estado natal. Por aqui tem destacada contribuição que o levou a ser candidato a vereador em 82. Com a campanha “Neuton Miranda o fiapo da esperança, o poder que o povo alcança” ajuda na eleição de Paulo Fonteles como deputado estadual.

No Pará conduziu o PCdoB por algumas décadas e assumiu várias funções representando o Partido. Foi deputado estadual, presidente da Companhia de Habitação (COHAB), Secretário Municipal de Habitação de Belém e Superintendente do Patrimônio da União no Pará. Aliás, quando na presidência da COHAB, liderou o Partido no rompimento com o governador Almir Gabriel, em 96, quando do massacre dos Sem Terras em Eldorado dos Carajás.

Dando-se o início do ciclo progressista no Brasil, com a eleição de Lula à presidência da República, assumiu a função de, na época, Gerente Regional do Patrimônio da União, depois Superintendente. À frente do Patrimônio da União desenvolveu o maior programa de regularização fundiária do Brasil, levando a segurança da posse para mais de 50 mil famílias ribeirinhas do estado. Famílias que viviam em regime quase de escravidão que, por meio do trabalho comandado por Neuton, alcançaram o direito de sonhar com uma vida de liberdade e progresso social.

No dia 20 de fevereiro de 2010 o coração de Neuton Miranda parou, em pleno desempenho de sua função, em Belterra, no oeste do Pará, onde repassara a légua patrimonial urbana para a Prefeitura Municipal. O desaparecimento físico de Neuton não fez acabar o exemplo do jovem Viet, do fiapo da esperança, do revolucionário da paciência e da persistência na luta pelo socialismo, do mais radical dos cabanos da tolerância.

O exemplo de Neuton Miranda segue inspirando a luta por uma sociedade de homens e mulheres livres. O PCdoB no Pará segue a trilha construída por Neuton, trilha da luta, do firme compromisso com o povo e os trabalhadores. No momento em que vivemos um período tenebroso de nossa história, o semblante tranquilo e persistente do calvo caboclo revolucionário nos inspira a lutar sempre a luta presente, na realidade concreta, enfrentando os problemas de hoje, mas com os olhos no horizonte, tendo como rumo o futuro da construção de uma sociedade socialista.

Neuton Miranda Presente!

* Jorge Panzera é Presidente Estadual do PCdoB no Pará e membro do Comitê Central do PCdoB.