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Com tom otimista, Haddad destacou falhas nas pesquisas em 2012 e 2014 e animou militantes

Júlia Dolce

No final da tarde desta terça-feira (16), o candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) recebeu o apoio de movimentos populares e sindicais em um evento realizado na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT). O ato, chamado de “Planeária da Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo com Haddad” reuniu também representantes do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Em sua fala, Haddad foi otimista. “Temos quarenta milhões de pessoas que querem votar na gente, precisamos ampliar em mais 10 milhões. Mas mesmo se estivéssemos sozinhos, essa luta vale a pena, é a causa de nossas vidas: a democracia, a liberdade, a dignidade humana que estão em jogo. É hora de tocar o barco, militando no computador mas também de porta em porta”, afirmou.

O candidato afirmou ainda que as pesquisas eleitorais não representam o resultado da eleição, e destacou as pesquisas do pleito municipal de 2012, no qual ele foi eleito, apesar de nas primeiras pesquisas não chegar nem no segundo turno, e as pesquisas da eleição presidencial de 2014, que apresentavam o candidato Aécio Neves (PSDB) como vitorioso. No último Ibope, divulgado na noite de ontem (15), o petista apareceu com 41% das intenções de voto, contra 59% de Bolsonaro.

“Quem está aqui não pode ficar olhando pesquisa e mudar de humor em função do que está colocado no jornal”, afirmou o presidenciável. Haddad criticou também a ausência de Bolsonaro nos debates presidenciais do segundo turno. “Hoje a Record TV ligou dizendo que o outro lado cancelou a participação no debate. Nunca houve um segundo turno sem debate. Uma pessoa fugir de debate em segundo turno? Até em enfermaria eu me dispus a debater. Ele não vai porque não tem o que dizer”, denunciou.

Haddad também aproveitou sua fala para agradecer e saudar Guilherme Boulos, candidato do Psol no primeiro turno. Segundo o petista, o apoio de Boulos e da vice de sua própria chapa, a Deputada Estadual Manuela D’Ávila (PcdoB), os colocam na posição de grandes lutadores históricos do país. Em sua fala, Boulos pediu uma salva de palmas à memória do mestre de capoeira Moa de Katendê, assassinado por um apoiador de Bolsonaro logo após o fim do pleito no primeiro turno.

“O que está em jogo é o projeto de uma democracia contra o projeto de um ditador que é Jair Bolsonaro, alguém que exalta o período mais duro da nossa história, que foi a ditadura militar, que ataca mulher, negros, minorias, trabalhadores. Em uma disputa como essa não se pode ficar em cima do muro. Ficar com ressentimento político e deixar de se posicionar de maneira enfática como o que está em jogo agora. Nós temos 10 dias para evitar uma tragédia e dialogar com o povo brasileiro”, afirmou.

Já a presidenta do PT e recém-eleita deputada federal Gleisi Hoffmann, em sua fala, reconheceu que grande parte do eleitorado ainda está em dúvida sobre o candidato.

“Eles não podem devolver a dignidade porque eles são os mesmo que sempre estiveram no poder, que sequestraram os direitos. Não foram falar com o povo, foram falar mentiras no submundo das redes sociais. Alguns tem dúvidas, mas tenho certeza que serão superadas quando entenderem o que está em jogo”, afirmou.

Segundo Haddad, a campanha de Bolsonaro é pautada por mentiras que atacam pessoalmente o petista. “As mentiras veiculadas em rede social estão sendo desmentidas uma a uma. Tem um personagem nas redes de Bolsonaro que faz as maiores atrocidades, não sou eu, talvez seja o Andrade’, brincou.

No entanto, o petista fez um alerta ao perigo representado pelo capitão reformado do Exército. “Nós não vamos voltar para esses tempos sombrios representados por Bolsonaro. Sua candidatura seria cômica se não fosse tão perigosa. Sem sombra de dúvidas ele está entre os dez piores parlamentares do país. Uma pessoa sem o menor compromisso com o povo brasileiro, capaz das maiores atrocidades verbais para colocar seu ponto de vista, desrespeitoso em relação à maior parte do povo brasileiro”, afirmou.

A atividade, prevista inicialmente para 150 pessoas e para um auditório pequeno, reuniu cerca de 300 pessoas, e aconteceu no saguão da CUT. O evento contou com militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), da Central de Trabalhadores Brasileiros (CTB) e da União Nacional dos Estudantes (UNE), mas também representantes religiosos de grupos como o Evangélicos pelo Estado de Direito.

Com o fim do ato, as lideranças dos movimentos se reuniram para uma plenária particular, onde foram delimitadas decisões organizativas. As Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo estabeleceram que o próximo sábado (20) será marcado por mobilizações nacionais em apoio à Haddad.

Edição: Diego Sartorato

FONTE: https://www.brasildefato.com.br/2018/10/16/10-dias-e-uma-eternidade-afirma-haddad-em-ato-com-militantes-em-sao-paulo/