ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
4 de maio: Ato em homenagem e lançamento do livro sobre Paulo Fonteles
Na próxima semana, no dia 4 de maio, será realizado um ato em homenagem ao advogado e defensor dos Direitos Humanos e dos camponeses, Paulo Fonteles, que foi covardemente assassinado em 1987. O ato também marca o lançamento, no Rio de Janeiro, do livro "Paulo...
Esta charge do Jorge Braga foi publicada em O Popular
Judiciário não vai recuar da posição golpista sem pressão da sociedade
A atuação do juiz Sérgio Moro e da maioria do Judiciário brasileiro foi classificada na segunda-feira (30), em Curitiba, como parcial, golpista e político-partidária pelo jurista Marcelo da Costa Pinto Neves, Professor Titular de Direito Público da Faculdade...
Encontro nacional de blogueiros terá presidenciáveis e ativistas pela democracia
Evento nos dias 25 e 26 reunirá em São Paulo comunicadores e lideranças de movimentos para discutir a batalha da informação pela democratização no Brasil Em defesa da democracia e contra os retrocessos promovidos pelo governo Temer, o Centro de Estudos da Mídia...
Corte Suprema da Argentina ratifica a imprescritibilidade de ações por crimes contra a humanidade
Em julgamento de Recurso Extraordinário interposto contra uma sentença em um julgamento por crimes contra a humanidade, a Corte Suprema de Justiça da Nação Argentina ratificou a imprescritibilidade das ações que versam sobre este tipo de crime. De acordo com a...
Greve de servidores do Detran chega a 21 dias com ato público
A categoria reivindica também a recomposição da Gratificação de Trânsito, do Auxílio Alimentação e do Adicional de Insalubridade. Ato é unificado com servidores público que apoiam o movimento. ervidores do Departamento Estadual de Trânsito do Pará (Detran), em...
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Comando da corporação determinou que informações só podem ser passadas pela assessoria de comunicação ou por chefes da unidade. Nesta quarta (2), Secretaria de Segurança disse que problema em sistema impediu fornecer dados de ocorrências. Por Ricardo Gallo Em...
Chacina de Pau D’arco: PF cumpre mandados e apreende material para investigação
Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (03), 12 mandados de busca e apreensão relacionados a chacina de "Pau D'Arco". A ação da PF foi realizada nos Estados do Pará, Rio de Janeiro e em Goiás, sendo sete em Redenção, três em Belém, um no Rio de Janeiro e um em...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





