ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
NOTA DA CPT – Lideranças de Mangabal (PA) marcadas para morrer
Equipe da CPT BR 163 denuncia que lideranças do Projeto de Assentamento Extrativista (PAE) Montanha e Mangabal são ameaçadas de morte por defender o seu território na região Oeste do Pará. (Na imagem o sr. Francisco, conhecido como Chico Catitú, um dos...
VERGONHA: Parecer da Câmara Municipal de Belém nega pedido de abertura de CPI do BRT
O parecer da Procuradoria Jurídica da Câmara Municipal de Belém indeferiu nesta terça-feira (27) o pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a denúncia de superfaturamento de R$ 40, 9 milhões nas obras do BRT (Bus Rapid...
Professores da rede estadual realizam protesto em frente a Sead em Belém
A categoria aguarda uma audiência na sede da secretaria, com a presença titular da Sead, Alice Viana, referente ao realinhamento do piso salarial. Professores da rede estadual estão ocupando na manhã desta quarta-feira (28), a rua em frente à Secretaria de...
GOVERNO JATENE: Em apenas três dias, dois policiais foram assassinados no Pará; o 16º só em 2018
Números preocupantes demonstram a falta de segurança pública. O resultado disso foram as mortes de 16 policiais em apenas dois meses. Em apenas três dias, dois agentes de segurança pública foram assassinados no Estado. Somente no mês de março, cinco policiais...
Ministério Público apresenta à Hydro condições para termo de ajuste de conduta da empresa para medidas emergenciais
Integrantes da força-tarefa do MP aguardam resposta da refinaria para que compromisso seja assinado ainda nesta última semana de março veja a audiência pública realizada sobre o caso pela MPF-PA. O Ministério Público enviou na última sexta-feira (23) à empresa...
Caso José Pereira: MPF defende imprescritibilidade de crimes contra a humanidade
Além de crimes contra a humanidade serem imprescritíveis, nesse caso o Brasil assumiu perante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos o compromisso de levar os criminosos a julgamento, lembra o MPF O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou nessa...
LULA PELO BRASIL: Caravana de Lula inicia no Paraná sua última etapa pela região Sul
Ex-presidente termina passagem por Santa Catarina "com o pé no barro" e cumprindo compromissos com famílias de produtores e cooperativas rurais de Nova Erechim e São Miguel por Cláudia Motta, especial para RBA e TVT "Depois de tanta coisa, é muito bom uma...
Manuela D’Ávila ao JB: esquerda pode se unir contra discurso de ódio
A pré-candidata do PCdoB à Presidência da República, deputada estadual (RS), Manuela D’Ávila foi entrevistada pelo Jornal do Brasil (JB). A matéria foi publicada no jornal impresso e site neste domingo (25) . Confira a íntegra: Até agora, única pré-candidata...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





