ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Privatização da Eletrobras, o Brasil na contramão do mundo
O jornal britânico The Guardian publicou, no dia 9 de janeiro, artigo de Will Hutton, intitulado “We can undo privatization. And it won´t cost us a penny” (Podemos desfazer a privatização. E não nos custará um centavo). Por Felipe Araújo* e Ikaro Chaves** O...
Associação de cabos e soldados denuncia falta de estrutura para trabalho da corporação
Em 2017, 34 PMs foram assassinados no Pará. Em 2018 já são 4 até agora. Associação de Cabos e Soldados admite que a categoria está em uma guerra contra o crime. Depois do assassinato de quatro policiais militares nos primeiros dias de 2018, a Associação de...
Mais de 900 crianças estão em fila para conseguir vagas em creches municipais de Belém
O município admite que 923 crianças estão cadastradas em uma fila de espera. Há apenas 39 unidades de educação infantil em Belém e o número não é suficiente, diz a Defensoria Pública. Mais de 900 crianças estão na fila de espera para conseguir vagas em creches...
Sindicato entra com mandado de segurança para que prefeitura da capital pague servidores
O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Estado do Pará (Sintepp) ingressou com um mandado de segurança pública contra a Prefeitura de Belém. A ação pretende reparar possíveis danos com os cortes aos salários de cerca de 300 servidores vinculados ao...
UTILIDADE PÚBLICA: MPF recomenda que empresa pare de anunciar irregularmente serviços de educação escolar no Pará
A Amazon Valley Academy se apresenta como “escola internacional” e diz oferecer “educação escolar”, apesar de não ter autorização MEC para atuar como instituição de ensino formal. O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou notificação à empresa Amazon Valley...
MPF cobra mais fiscalização dos serviços de energia elétrica no Pará
Só nos últimos dois anos foram mais de 5,2 mil reclamações de consumidores sobre cobranças excessivas; recursos para fiscalização não são usados. O Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação na Justiça Federal com o objetivo de regularizar no Pará as...
Eleição sem o Lula é Fraude! Por uma Justiça independente e apartidária.
por Moisés Alves* Dia 24 o Brasil e o mundo vai acompanhar mais um espetáculo jurídico e midiático. O TRF – 4 acelerou o processo para julgamento do ex-presidente Lula. Toda essa pressa da justiça mostra que tratamento é diferente e acelerado e tem um...
‘Não tem jeito de consertar este país se o povo não estiver inserido na economia’
Lula se dispõe a ser candidato "aconteça o que acontecer". Sobre o julgamento, disse que está e continuará com a tranquilidade dos inocentes. "A minha tranquilidade vai infernizar a vida deles" O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem (18) que "se o...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





