ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Mauro Santayana: Os dois golpes de 2018
O primeiro golpe do ano está planejado para, em 24 de janeiro, tirar Lula da eleição presidencial. O segundo, em consequência, será a deliberada entrega do país ao fascismo pela “justiça” brasileira. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) anunciou o...
Arcebispo de Recife critica Temer por hipocrisia em temas de direitos humanos
Governo golpista declara Dom Helder Camara como patrono dos DHs ao mesmo tempo em que corta direitos, denuncia clérigo O arcebispo de Olinda e Recife, Dom Antônio Fernando Saburido, divulgou nesta terça-feira (2) uma nota pública em que critica a falta de...
MPF no Pará entra com ações por improbidade contra Duciomar Costa por desvio de R$ 216 milhões
Ações são novo resultado das investigações que levaram à operação Forte do Castelo e que já motivaram o ajuizamento de denúncias criminais O Ministério Público Federal (MPF) enviou à Justiça seis ações por improbidade administrativa contra o ex-prefeito de...
AS PROMESSAS DE JATENE
Jatene fez promessas específicas em um programa de governo registrado no TSE, em entrevistas e debates. O G1 levantou tudo e separou o que pode ser claramente cobrado e medido. Veja os critérios e aqui a página com os dados atualizados com o status de cada...
UTILIDADE PÚBLICA: UFPA abre inscrições para processo seletivo de cursinho pré-vestibular
O cursinho é voltado para alunos da rede pública de ensino ou que possuam uma bolsa de estudos parcial ou integral em escolas particulares. A Universidade Federal do Pará segue até o dia 24 de janeiro com inscrições abertas para o processo seletivo do Projeto...
PCdoB mobiliza militância em jornada de apoio ao ex-presidente Lula
Em nota pública, a presidência do PCdoB mobiliza sua militância para as atividades em defesa da democracia e do Estado de Direito. Trata-se da batalha decisiva do julgamento desleal que tem sido submetido o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a intenção é...
Após chacina no Réveillon, população de Belém vive sob medo
Depois que 2017 encerrou com mais uma chacina, a população inicia o ano sem muita esperança de melhorias, apenas com o sentimento de medo e preocupação com a situação de violência na Grande Belém. No dia 31 de dezembro, cinco assassinatos assombraram as ruas...
Coleta de lixo continua precária em Belém
O acúmulo de lixo nas margens do Canal Água Cristal, no bairro da Marambaia, em Belém, só aumenta. Mesmo depois da denúncia da população, na semana passada, a coleta de lixo continua precária e o volume de entulho é tanto que ocupa metade das vias, atrapalhando...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





