ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Luciana Santos: Paulo Fonteles Filho, presente
A deputada federal, Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB, divulgou nota nesta quinta-feira (26) em que afirma que a comoção pelo falecimento do dirigente do PCdoB e ativista dos direitos humanos, Paulo Fonteles Filho, acontece porque ele tinha o valor...
Movimentos: Trajetória de lutas de Paulinho Fonteles se mantém viva
Movimentos sociais divulgaram nota de solidariedade aos familiares do dirigente comunista e ativista de direitos humanos Paulo Fonteles Filho que faleceu nesta quinta-feira (26), acometido por infarto fulminante. Consternadas com a morte prematura de Paulinho,...
Renato Torres: Um poema para Paulo Fonteles Filho
O músico e poeta paraense Renato Torres escreveu um poema para Paulinho Fonteles, poeta, ativista de direitos humanos e comunista que nos deixou nesta quarta-feira após um infarto fulminante: Escreveu Renato: "a morte é um encante que faz insurgir o levante das...
Vanessa Grazziotin sobre Paulinho Fonteles:País perde abnegado lutador
A senadora Vanessa Grazziotin apresentou nesta quinta-feira (26) no Senado Federal voto de pesar pelo falecimento de Paulo Fonteles Filho, dirigente comunista e defensor dos direitos humanos que sofreu infarto fulminante neste dia. “O país perde uma grande...
Ismael Machado: Era difícil não amar Paulinho Fonteles
Era um daqueles dias de sol que apenas a região desmatada e castigada do sul do Pará proporciona. Marabá esturricava. Eu e Paulinho Fonteles entramos numa loja por conta de uma promoção de calças. O preço, quase inacreditável, nos fez comprar mais de uma. Paulinho se empolgava de forma absurda. Diante do meu estranhamento, explicou que não costumava comprar as próprias roupas. Saímos da loja rindo alto.
Paulinho Fonteles morre aos 45 anos: Vida dedicada à luta do povo
Paulo Fonteles Filho não resistiu a um infarto fulminante ocorrido na manhã desta quinta-feira (26) em Belém (PA). Aos 45 anos de idade, o poeta, militante do Comitê Paraense pela Verdade, Memória e Justiça, membro da Comissão Estadual da Verdade, ex-vereador e dirigente do Partido Comunista do Brasil, se foi deixando um legado de coragem e ativismo na luta pela democracia e, especialmente, contra o golpe que se instalou no Brasil.
Uma dor que sufoca, uma vida que inspira
Hoje o dia amanheceu com uma notícia que gerou em todos nós uma dor que sufoca. O desaparecimento físico do camarada, irmão, amigo Paulo Fonteles Filho. Não há palavras para definir essa dor e essa perda.
NOTA PÚBLICA
As bandeiras do Pará, do Brasil, dos Direitos Humanos e do Partido Comunista – PCdoB estão a meio mastro. Nessa manhã faleceu de um infarto fulminante, o Presidente do Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos, Paulo César Fonteles de Lima Filho. O velório vai acontecer a partir das 13:00h na Assembleia Legislativa do Estado do Pará – ALEPA e o sepultamento do seu corpo às 10:00h no Cemitério Santa Izabel onde seu pai foi sepultado.

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





