ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
‘Ração humana’ de Doria é alvo de críticas de nutricionistas
Entidades e especialistas da área de nutrição compararam granulado nutricional com ração.
Senado aprova medidas protetivas de urgência
O Senado aprovou esta semana, em votação simbólica, projeto que altera a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) para permitir ao delegado de polícia conceder medidas protetivas de urgência a mulheres que sofreram violência doméstica e a seus dependentes. Pela...
Curso internacional da UFPA forma estudantes em biodiversidade e Direitos Humanos na Amazônia
Segundo a UFPA, o curso transmite e discute dados socioeconômicos, políticos, ambientais e culturais sobre as áreas amazônicas da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Guiana e Suriname, além do Brasil.
Vereador é morto em bar no município de Pau D’Arco, no Pará
Um vereador foi executado dentro de um bar na noite de domingo (15) em Pau D’ Arco, no interior do Pará. Manoel Francisco Soares Almeida (PMDB), de 43 anos, levou três tiros diante de várias testemunhas. A Polícia Civil investiga o crime. “O vereador estaria...
Jandira Feghali: O planejado bonde da insensatez
Os constantes protestos em exposições artísticas no Brasil não passam de uma mirabolante e bem pensada cortina de fumaça. Grupos neofascistas, os mesmos que foram às ruas pedir o impeachment sem crime de Dilma e hoje apoiadores do presidente Temer, criaram um rendez-vous na tentativa de fazer os olhos da sociedade se distanciarem dos crimes do mandatário ilegítimo. Com a segunda denúncia batendo às portas do plenário da Câmara dos Deputados, os 14 milhões de desempregados e cortes brutais no orçamento de políticas sociais, o país todo se envolve numa discussão sobre censura.
Mulheres transformam sonho em renda na ilha de Cotijuba, no Pará
Com o protagonismo do Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém, artesãs e produtoras rurais alcançam a autonomia financeira.
Luciana: Temer põe Brasil na contramão do desenvolvimento mundial
A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara realizou audiência pública nesta terça-feira (10) para debater o orçamento da área, seus cortes e consequências para o futuro do Brasil.
Mães pedem reparação psíquica e econômica por filhos mortos pela PM de SP
Em audiência, entidades e familiares defenderam criação de um fundo estadual e denunciaram extermínio de jovens negros.

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





