ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
PSDB flertou com o fascismo e agora é obrigado a encará-lo
Na ânsia de tomar o poder o PSDB flertou com o fascismo. O inconformismo com a quarta derrota consecutiva na urnas, levou a legenda a elevar o tom do discurso de ódio e adotar o moralismo, como instrumento de combate à corrupção. Judicializou a política e insuflou a campanha midiática de espetacularização do processo. Como disse o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), tiraram o gênio do fascismo da lâmpada e agora não sabem como devolvê-lo.
Hildegard Angel: Brasil nunca mais
Compartilho com vocês minha dificuldade de agora, ela paralisa e asfixia. Houve tempos em que minha inconsciente juventude permitia que eu colorisse com festas a mais feiosa das vidas. O mais cinzento dos tempos. Não sei o tipo de patologia, mas eu floria...
Associações comerciais e entidades de classe de Ourilândia do Norte protestam na PA-279
O projeto foi suspenso por ordem da justiça federal, que considerou que o empreendimento não estaria atendendo os pré-requisitos de licenciamento, causando impactos negativos nas comunidades indígenas.
Heide Castro: O trabalho escravo contemporâneo no sudeste paraense; uma análise das sentenças criminais
por Heide Patrícia Nunes de Castro O presente artigo analisa as sentenças que versam sobre trabalho escravo no período de 2013 a 2016, fornecidas pela Subseção Judiciária de Marabá/PA, vinculada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Discute que o crime de...
STF nega pedido de suspensão de processo que investiga Jatene
A defesa do Governador que nega as acusações e diz que tem atuado junto à Justiça para prestar os esclarecimentos necessários.
Temer reduz recursos para tecnologia, meio ambiente e políticas sociais em 2018
Proposta orçamentária apresenta cortes em áreas que atendem a população, mas aumenta percentual parlamentares
Vanessa Grazziotin: “Estamos vivendo num país à deriva”
Constatação é de parlamentares da oposição e da base de Temer convidados para um jantar na casa da senadora Kátia Abreu na noite de terça-feira. Segundo senadora do Amazonas, “Congresso já não responde mais ao chamado do Executivo”.
A memória versus o niilismo: Como enfrentar o fascismo bolsonazi e as ameaças dos lobos da tortura e da morte?
Por Paulo Fonteles Filho. "Um velho Timbira, coberto de glória, Guardou a memória Do moço guerreiro, do velho Tupi! E à noite, nas tabas, se alguém duvidava Do que ele contava, Dizia prudente: - "Meninos, eu vi!" (Gonçalves Dias) Em meio aos tempos...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





