ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL

 

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Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.

Renato Rabelo

 

 

 

 

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JUSTIÇA: Ministro do STF determina liberdade de presos em 2ª instância; Lula pode ser solto

Decisão de Marco Aurélio Mello atendeu pedido do Partido Comunista do Brasil e pode beneficiar milhares de presos Redação - Brasil de Fato Na tarde desta quarta-feira (19), o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicou uma decisão...

ENCARCERAMENTO: Relatório aponta tortura como elemento estrutural do sistema prisional brasileiro

“As condições de encarceramento no Brasil são torturantes por si só”, afirma documento da Pastoral Carcerária Nacional Bruna Caetano - Brasil de Fato “Como se pode falar em Estado democrático de direito quando esse mesmo ente público é um dos principais agentes da...

Bispos da CNBB do Nordeste rechaçam privatização da Eletrobras

Bispos que compõem a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da regional formada pelas províncias eclesiásticas de Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, manifestaram seu posicionamento contrário à privatização da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), que está no pacote de privatizações do governo de Michel Temer.

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Meu primo João

  Por Paulo Fonteles Filho. Meu primo João sofreu terrível preconceito dentro de uma sala de aula do curso de Design, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por ter a cabeleira estilosa, negramente florida, expressão da raça e do que aprendeu em casa,...

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Flávio Dino: Transformação do Maranhão já pode ser vista nas ruas

Esta semana que passou tive a honra de chegar aos 1.000 dias de trabalho intenso a serviço do povo do Maranhão, na condição de governador. Um momento muito especial pela sensação de estar cumprindo os compromissos que assumi em 2014. Estamos enfrentando problemas acumulados por décadas que se somaram à maior crise econômica no país dos últimos 100 anos. Mas com muito trabalho e pé no chão, os frutos da mudança estão aparecendo.

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Pesquisa da BMP para eleição de 2018 no Pará tem fortes indícios de fraude

A empresa Bureau de Marketing e Pesquisa (BMP), que há muito tempo presta serviços ao Governo do Pará e à Prefeitura de Municipal de Belém e é ligada diretamente ao marketeiro do PSDB no Estado, Orly Bezerra, lançou na internet no último domingo (1º) uma pesquisa  claramente direcionada, com erros crassos e fortes indícios de fraude. Numa das perguntas sobre em quem o eleitor votaria para o Senado na eleição de 2018, a opção do atual senador do Pará, Jader Barbalho, aparece sem seu nome e com o indicativo “Resposta Extra”

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Ismael Machado

 

O livro de uma vida

Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.

Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado  está preparando para lembrar Fonteles.

É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.

Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.

Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.

Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.

Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.

A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.

BELÉM

SÃO PAULO

RIO DE JANEIRO

BRASÍLIA

Ato em homenagem a Paulo Fonteles