ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
STF manda arquivar denúncias contra Flávio Dino
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) teve arquivado as citações feitas por um dos delatores da Odebrecht, José de Carvalho Filho, de que teria recebido recursos de caixa dois e propina. O ministro Felix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ)...
Desiguais na vida, desiguais na morte: o desaparecimento político no Brasil, por Eugênia Augusta Gonzaga
por Eugênia Augusta Gonzaga O dia 30 de agosto foi declarado pela ONU como o Dia Internacional das Vítimas de Desaparecimentos Forçados. Trata-se de prática adotada por governos violentos, segundo a qual suas vitimas não são sequer reconhecidas como mortas e...
Chega a 40 o número de faculdades irregulares proibidas de atuar no Pará
Decisões da Justiça Federal foram tomadas em processos abertos a partir de ações ajuizadas pelo MPF nos últimos 12 anos
Suspeito de filmar partes íntimas de mulher em ônibus é detido pela Guarda Municipal, em Belém
Um homem foi preso pela Guarda Municipal de Belém (GMB), nesta quarta-feira (30), suspeito de filmar partes íntimas de uma mulher em ônibus da linha Outeiro/av. Presidente Vargas, em Belém. Ele foi apresentado na Seccional do Comércio e em seguida liberado,...
Paulo Emmanuel
Ex-deputado Paulo Fonteles é homenageado pela Assembleia do Pará
Pluralidade e emoção marcaram a realização da sessão especial em homenagem ao advogado comunista, ex-deputado e dirigente comunista Paulo Fonteles. Diversos partidos, lideranças e movimentos prestigiaram o evento.
Homenagens marcam 30 anos sem Paulo Fonteles
Assembleia Legislativa do Pará realizou sessão solene, reunindo autoridades e movimentos sociais, exposição sobre o deputado estadual e inauguração da sala da Comissão de Direitos Humanos com o nome do ex-parlamentar.
Governo Temer muda decreto da Renca na Amazônia, mas não convence
Na imagem acima ativistas participam de protesto na praia da Ponta Negra, em Manaus, contra a abertura da Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca) à mineração (Foto:Alberto César Araújo/Amazônia Real)

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





