ESPECIAL: PAULO FONTELES SEM PONTO FINAL
Este livro-reportagem de Ismael Machado é um reencontro vivo e impactante com a memória desse exemplar militante comunista, exultante e abnegado defensor do povo pobre da vasta região amazônica, estendida ao estado do Pará. A obra descreve com precisão como o apropriadamente qualificado “advogado do mato” foi morto pela execução de um “crime bem planejado”, realizado por profissionais que vivem desse macabro mister, sustentados mediante paga de manda-chuvas do latifúndio, verdadeiros donos do poder na região.
Renato Rabelo
Abaixo-Assinado em apoio ao professor Zezinho e ao povo Kaapor
. A luta por direitos e respeito encampada pelos povos indígenas do Brasil, já dura mais de meio milênio. Nesse período, milhões de homens, mulheres, idosos e crianças indígenas foram assassinados pelos “descobridores” e seus descendentes. Genocídio implementado em...
Relatório Final da CPI dos Grupos de Extermínio e Milícias no Pará (2014/2015)
. Grupos de milícias atuam plenamente no Estado, com a participação de policiais militares, sendo que pelo menos três deles coexistem na Região Metropolitana de Belém, financiados por empresas, comércio ilegal e tráfico de drogas. Este é o cenário apresentado pelo...
Paulo Emman
Ditadura Militar: Documentos sobre a prisão de Paulo Fonteles e Hecilda Veiga – Brasília/1971
. O projeto Brasil Nunca Mais continua sendo um importante acervo ao nosso país. Na metade dos anos 80, além de trazer a tona a repressão escondida pelo regime militar, provocou a discussão sobre a adesão do Brasil aos tratados internacionais contra a tortura. Hoje...
A grande farsa: A quem serve o discurso de que direitos humanos só defende bandido?
. Por Paulo Fonteles Filho* Há muito que a sociedade brasileira e paraense tem sido bombardeada pela visão de que os defensores de direitos humanos atuam pró-bandidos ou pessoas em conflito com a lei. O discurso, que nos remete aos porões ideológicos da repressão...
Ismael Machado: Imagens perdidas dos soldados no Araguaia
. Especial para o Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos por Ismael Machado - jornalista e roteirista. João Ilair Teixeira da Costa interrompe a conversa e vai até um quarto. Demora alguns minutos e retorna com sete fotos nas mãos. A equipe se entreolha...
Carlos Bordalo: Nota de pesar e repúdio às mortes ocorridas no dia 20 de janeiro de 2017
. O IPH-DH republica nota de pesar do deputado Carlos Bordalo a respeito da chacina ocorrida em 20 de janeiro passado. É preciso que o estado investigue e não deixe impune este tipo de conduta que vem se repetindo em nosso estado. Rafael da Silva Costa, 29...
30 anos sem Paulo Fonteles: A Guerra dos Perdidos fez parir o advogado-do-mato.
. “Quem grita vive contigo” (Milton Nascimento) Por Paulo Fonteles Filho. A resistência camponesa na fronteira amazônica foi determinada pela penetração econômica do grande capital, disso sabemos. A grilagem fez a miséria, a sífilis e a pistolagem...

O livro de uma vida
Foram oito dias percorrendo as rodovias do sul e sudeste do Pará. Marabá, São Domingos do Araguaia, São Geraldo do Araguaia, Conceição do Araguaia, Rio Maria e Xinguara. Eu, Paulo Fonteles Filho e o motorista Rubens. A ideia era encontrar pessoas que conviveram diretamente com Paulo Fonteles, no período em que ele era conhecido como ‘advogado do mato’ por defender posseiros e lavradores contra desmandos do latifúndio em plena ditadura militar.
Estar nessa região não é exatamente uma novidade, mas a cada vez há coisas a levar como aprendizado, experiência, exemplo. A missão nossa era coletar depoimentos para o livro que estou escrevendo sobre a vida de Paulo Fonteles, cujo assassinato completa 30 anos em junho próximo. Faz parte das atividades que o Instituto que leva o nome do ex-deputado está preparando para lembrar Fonteles.
É um privilégio e uma responsabilidade fazer parte disso. Nos caminhos encontramos com personagens admiráveis como Davi dos Perdidos, Luzia Canuto, Zé Polícia, Zé da Paula, Edna dos Perdidos, Maria Oneide, João de Deus. Tantos que ajudaram a construir essa história heroica, mas repleta de sangue dessa parte relegada do Brasil.
Descubro com mais clareza que os camponeses reagiram à altura também aos ataques de pistoleiros. A resistência armada foi real e significou mais uma das tantas guerras perdidas do Brasil, como bem relatou algumas o jornalista Leonencio Nossa, em uma bonita série de reportagens anos atrás.
Numa dessas noites, regada a carne de carneiro na casa de Zé da Paula, eu escutava, embevecido, as histórias desses homens e mulheres já na casa dos 70 anos, lembrando as histórias dos acampamentos que se tornaram hoje assentamentos produtivos, tantos anos depois. Zé da Paula e Valdemir contando como tiveram que sair da região e passar alguns anos fora por conta de ameaças sofridas. Entre risos, cervejas, cachaça, churrasco, as memórias afloravam. Eu olhava algumas fotos antigas, como a da musa de todos, Lu, uma jovem bonita, filha de uma das famílias mais ricas de Minas Gerais e com espírito comunista. Lu criou um bar de MPB numa Conceição do Araguaia que efervescia. Olho a foto dela na beira do rio sorrindo e depois olho para uma foto dela atual, com quase 80 anos, convivendo com o mal de Parkinson.
Comparar essas duas fotos foi para mim um dos momentos mais tocantes dessa viagem, pois me fez pensar em trajetórias de vida, principalmente quando a vida se torna algo mais rico do que qualquer outra experiência.
Estar com essas pessoas, ouvir o que elas têm pra dizer, é uma experiência que gostaria muito que os que pensam nesse muro de ódio e preconceito a dividir o Brasil, pudessem ter a oportunidade de presenciar.
A história foi vivida por essas pessoas. Algumas não sobreviveram para contá-la, mas os que resistiram podem dizer como Davi dos Perdidos. “Eu venci, pois diziam que eu ia morrer de morte matada. Não conseguiram”.
BELÉM





